quinta-feira, 24 de junho de 2010


CORPO-PERFEITO

Nada é tão amado
Quanto o coração.
O amor nele guardado
Ninguém leva não...

Puro objeto de amor
Que nem cara tem.
Não finge sentir dor
Nem mágoas também...

Se qual apaixonado
Tão lindo é no mundo.
Se tal amargurado
Sente tão profundo...

Nada deixa morrer
O que é de tão fulgor.
Tão logo faz vencer
O que é de esplendor...

Nada é de pecado
Neste cerne nada é vão.
Oh ser abençoado
É este tal de coração!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 23 de junho de 2010


CÂNTICO DE ESPERANÇA

Dança, minha bela... É a tua canção...
Mostra teu bailar; é o cântico de seu amor!
Com teu sapatear, ao pulsar teu coração,
Bailas com teus passos de esplendor...

Dança, minha bela... A aquarela da paixão...
Foi composta à estrela, intensa de fulgor!
A letra já é tua, foi escrita à minha mão,
As luzes são da lua, não afeta o seu pudor...

Olha à tua frente... O mundo que te espera,
Seca suas lágrimas, acorda os teus sonhos...
Dança, menininha... Vejas como é amada...

Vejas lá ao fundo... O chegar da primavera,
És a minha alma! Seus dias são risonhos,
Tua luz é tão bendita; é o canto da alvorada...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 18 de junho de 2010


À MINHA METADE

Enquanto eu viver de calor
no meu demente coração,
ser-te-ei de a luz mais clara
dos astros quentes dos céus.

Enquanto me for de primor
a minha atrevida paixão,
ser-te-ei do tempo que rogas
na luz clara da verdade.

Enquanto for plena em mim
toda a ambição perfeita,
aos teus olhos humanos,
ser-te-ei da densa claridade.

E quando, oh minha querida,
sob a terra fria da vida
o meu corpo vier a dormir,
ser-te-ei de intenso fulgor.

Pois de mim já és toda a luz,
toda a divindade em luz
que hás ao imenso esplendor.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 15 de junho de 2010


VERSOS DE TORTURA

Sou de ti, oh minha bela, a sua saudade,
As lembranças de seus momentos de amor,
Sou o teu rastro de tristeza e vaidade
Que estendes em versos; lágrimas de dor...

Não! Não quiseras ser assim, o seu langor.
Na vida, oh meu bem, sou-te lealdade;
O teu sentir puro! Eu sou a tua verdade
No imenso afeto de seu peito; o esplendor!

Ah! Amor, sou todo o seu querer, ardente;
O seu tremor! No pensar infinito da vida
Eu sou a tua forma de amar simplesmente!

Mas também de sua tristeza, eu sou pudor!
Tão igual como as suas lágrimas, querida,
Pois que vivo exatamente, do mesmo amor!

(Poeta Dolandmay)

ANGÚSTIA

Oh alma fúnebre que me pertence, donde estou?
Tudo me passa, o mundo me passa, e não vejo!
Pois que nada me toca o corpo, um vão desejo;
Calor escuro, suor gelado, não define o que sou!

A vida que contempla o destino em mim deixou,
Uma imensidão suntuosa. Ouvira o meu pejo
Na transparência infindável de um idôneo beijo,
Numa perpétua cobiça de regalos, e se findou!

Num branco desejável de luz plena e ternuras
Clareia-me a lua, em meio às nuvens escuras,
No neurótico e perpétuo tempo, que me conduz!

Diga-me! Oh criatura, que me faz de ti saudade,
Donde estou? Oh, clamo-te! Em sua lealdade:
Faz de a tua voz a verdade rígida que me traduz!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 10 de junho de 2010


PRECE

Oh criatura luzente de afetos frêmitos,
De intensos prazeres, de doutrina leve,
Que na epístola mordica se descreve;
E que se desfaz, e se lança ao infinito...

Criatura de imensa voz, e de um mito;
Do irreal dos louvores, único e breve,
E das palavras, que sombria se escreve
O amor, desleal de solidão, e maldito...

Oh ser que de paixão fremida se renova,
Que se arremessa, e que se prova
Na imortal combustão de suas dores...

De o seu ventre alimenta-me em calor,
Traz-me o seu fruto, imune de dor;
O de igual coração, o de seus amores!

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 8 de junho de 2010


PERDÃO

Sou de teu sorriso o amor de um dia,
Passeei aos belos sentimentos que têm
E sob a tua graça fui a sua alegria,
E fui de teu corpo o fascínio também.

Sou somente agora de sua voz melodia,
Somente a letra d’um forte desdém
Que ao teu peito roga encanto e magia
Ao canto de dor de sua boca, meu bem...

Despreza de mim a angústia passada,
Oh minha querida e altiva amada,
Quero ser-te outra vez um prazer real...

Oh dá-me de volta a tu’alma plangente,
A sua alegria de amar simplesmente,
Perdoa-me querida se hoje sou teu mal!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 3 de junho de 2010


Como o próprio sol
(Noite morta)

Quando o dia se cai; triste
Uma noite que não passa
Vagueia no que me existe;
Na solidão que me abraça.

Tanto me queixa o lamento:
Porque não se deixa feliz?
A voz oculta o pensamento,
Na alma não roga, e diz:

Odor de flor pelo caminho,
Estrada que não pode amar.
Mas não se deixe sozinho,
Não faz à tristeza lembrar.

Distancia-se do passado
Aos pés de quem tem amor.
O mais alto que é amado,
Que é paixão, que é pudor;

Rei dos dias e das noites
Que está além do que sente;
É alma-santa de afoites
E de amor simplesmente.

Acorda o dia, e vem aurora;
À frente da alma é o além,
Detrás, é o que te devora
E luz que se apaga também!

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 1 de junho de 2010


IRONIA

O que de ti, é em mim tão belo, amor,
Se a nada me convence o seu coração?
O vil sentimento que me oculta a dor
Não a vês, irônica, sob a minha paixão!

Estendo os meus versos, a seu clamor;
O canto de ira, de um imenso vulcão.
E um grito afinado balbucia o condor:
Voz de mim, que dos astros vêm e vão...

Além da lua alva busquei te esquecer,
E, nos mistérios, o teu amor entender...
Mas só o cicio de tua voz, compreendi!

Murmúrio demência, a sua paixão leve,
Pois o irônico poema que te descreve
Não é em mim tão belo! Como é em ti!

(Poeta- Dolandmay)

quarta-feira, 26 de maio de 2010


MÁGOAS

Não! Eu não tenho mágoas dela,
Ela foi pra mim todo o meu sonho...
E, todo o amor que eu disponho,
Todo o meu encanto foi por ela...

Eu não vou julgá-la! Olhe à janela,
A de amarguras, eu lhe proponho.
Não vês? Aquele olhar tristonho...
Que pontaria confuso, sacudidela!

Eu já sou de o teu peito a agonia...
O encanto desconexo, a fantasia,
Daquela que era de mim, o infinito!

Não a tenho mágoas! Sim saudades,
É o que eu sinto por as lealdades,
Do amor! O qual lhe foi o meu grito!

(Poeta Dolandmay)

FUNESTO

E o dia estava claro
Como o Oiro celeste.
Não havia nuvens
Sobre o azul imenso,
Havia notas belas
Que entoavam os anjos
Sob o infinito alvo,
Que fiel se reveste.

E, antes, escuro ficou
Quando literal revelou,
Que à vida, eu vieste.

(Poeta- Dolandmay)

sexta-feira, 21 de maio de 2010


A PROPÓSITO

Seja em ti o seu próprio amor:
tu és de criação da divindade.
Ama-te, antes, ao esplendor,
pois, amado serás à eternidade.
Cuidas de ti igual ao outro,
para que seja disposto o que têm.
Aliviados serão os teus dias,
ao amar-te, lhe virão às alegrias,
para que sejam amadas também.

(Poeta- Dolandmay)

segunda-feira, 17 de maio de 2010


SENTIMENTO OCULTO

Tão oculta anda a minha cabeça
Não sou alegria, e nem sou tristeza.
Deverá Deus ter me esquecido
Neste tempo sem me clarear a lua,
Nestas noites, que não perpetua,
Em redor de mim o amor antigo?

Não tenho a sentir qualquer sabor
Ou qualquer frio, ou qualquer calor.
Será eu um funesto esfaimado
Pelo dom da vida, que me é de amar,
Que ao coração têm-me a perdurar,
E assim, nem sou um amargurado?

Ah, quem me dera saber o segredo,
Do tudo e nada, a ocultar o medo,
Sem fazer a mim qualquer pecado!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 12 de maio de 2010



LAMENTAÇÃO

Encheste-me de amor, tão puro, e delicado.
E num instante me deixaste, por esquecer,
Triste nas correntes mortas d’um regado,
O que a pouco, num fato, puseste se perder.

Vieste-me a sussurrar num real amargurado
Os anseios que guardaste, por não perecer,
Sob as lembranças dum coração inveterado,
A paixão, que de mim, põe-se a enlouquecer.

E, nestes lamentos que te oculta à verdade,
Dispõe a não perder a porção do meu peito
Que já adormece! Oh Amor, na tua saudade.

Pois, com os pés ao alto do que me encanto,
Não mais sou de tua cobiça o ser perfeito:
Eu sou o que és de mim, teu mesmo pranto!

(Poeta- Dolandmay)

sábado, 8 de maio de 2010


VAGO

Tenho a viola e uma rosa,
E o coração entreaberto.
Falta-me a letra pra cantar,
Sou um imenso deserto.

Só me basta uma prosa
Fugidia da boca de alguém,
E me basta que saiba amar
E que saiba tocar também.

Procuro um cerne perfeito
Que seja louco de amor,
Que não tenha muito desejo
Nem que seja o esplendor.

Mas que tenha no peito
As perfeições de um viver
Para que no canto da viola
A paixão não lhe envolver.

E quando eu lhe der a rosa
Possa se lembrar de mim
Na voz que lhe consola,
No deserto do meu jardim.

(Poeta- Dolandmay)

sexta-feira, 7 de maio de 2010


AVAREZA

Passado os dias de engano,
Imensas cobiças sem causa,
Dilúvio alto, e soberano,
E nostálgico, e sem pausa.

Este as lágrimas da face fria,
Refúgio do desejo morto,
Esperança extinta, e alegria,
Reatada em falso conforto.

E a lua das noites sem cor
Não mais beija a alvorada,
O oiro não brilha o amor,
É branco, e de paz desejada.

Penduram as regras certas
No núcleo de falsa verdade,
Findam as ambições incertas
A não se impor à vaidade.

A não se aplicar aos relógios
As horas por passar o tempo,
E por os fúteis necrológios
No finito do mesmo tempo.

(Poeta Dolandmay)


DE PASSARELA

Sabe ela com seu andar...
Serei luz, ou serei nada...
No teu imenso recreio!

(Poeta- Dolandmay)

sábado, 1 de maio de 2010

LUXÚRIA

Se tu soubesses o que sinto no peito...
Se tu soubesses do meu imenso amor
Não mais sentiria de mim tanta dor,
Não verias em mim um amor desfeito...

Sentirias por mim o coração satisfeito
Que já a tanto é por o teu esplendor,
Que já a tanto almeja de ti o frescor,
Porque tu és de mim o Amor-Perfeito!

Eu ambiciono de ti toda a grandeza...
E o caminhar de dor, essa tristeza,
Põe-se dosada de afeto dentro d’alma.

E não ouvirias de mim o falar da noite,
Se em ti soubesses, do meu afoite,
Já que és a minha vida, a minha alma!

(Poeta- Dolandmay)


A CANÇÃO

Qual me era a canção que tu cantavas?
A qual me deste amor, tantos carinhos...
Parecia-me que não era entre os espinhos,
Parecia-me que te amar não esperavas...

Qual a melodia que a ti não machucavas,
E que me era o conforto dos teus ninhos?...
Se me fosse qual o canto dos passarinhos,
Assim sei que ao coração tu não amavas...

Mas fosse que de mim um belo canto
Entoou-se por a tua alma, e por o espanto,
De o teu sangue os males dos pecados...

E a canção que te canto, alegre e branca,
Não me é como a de ti, que me espanta,
Não me é como as dos Sóis amargurados!

(Poeta- Dolandmay)