quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Murmúrio

Ao fim da minha vida... Quem sabe
Quando frio estiver, e profundo...
Sob a terra bendita deste mundo
Todo o calor do meu corpo acabe!...

Vivem a vaguear as almas, em segredo
Sussurram-me as frases belas e frias
No ar gélido das tuas vozes, nos dias
Em que o meu sentimento é o medo!

Vagando ao igual penar nas tuas eras
Sinto-me um ser dormente as esperas
Das noites santificadas em um além...

Quem sabe quando chegar o meu fim...
Quando as rosas caírem sobre mim,
Aos ouvidos eu possa esquentar alguém!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Silencio...

Torna-se mudo o meu coração,
e neste momento de pesar
a minh’alma vagueia ao ocaso
em que o meu corpo perece
no álveo rígido que me assenta.

Sinto que o tempo me falta,
que se isola sobre mim,
que o medo me domina
e a noite cega-me os sentidos.

Meus olhos não mais vêem
a manhã clara dos dias,
isolando-me na profundeza vã
dos meus mitos, da causa finita
e das idolatrias que me renova.

Que me pudera nos meus altos,
na minha adoração e no poder
que me tens no mundo, a vida,
no grito do meu amor, renovação.

(Poeta- Dolandmay)
Nos mistérios

Eu vi o Senhor a minha luz
nas entranhas da noite...
Eu vi na escuridão plena
os dias que me vestem...
Eram puros e definidos,
e em cada um eu vi o Amor
que me foge a boca santa.

Eram os dias de trás de mim
que o espelho da vida
refletiu sobre os meus olhos
que não mais enxergavam
a minha alma sob o meu corpo.

Eu vi que todos os meus dias,
de trás de mim, eram castos,
mas se fecharam, se perderam,
se odiaram e se desfizeram
por razões incrédulas, perdidas.

Como pois os Santos dizer
o que as tempestades escuras
não me disseram, ó Rei?
Como fazer que o passado
não me aflijas no resto tempo
que me faltam a tua glória?

"Fizestes chuvas a mim tanto
que tudo o que me destes
se aprofundou nas águas frias
que cairdes dos teus céus..."

Assim eu vi as respostas Dele
sobre a minha fronte amarga,
agnóstica, vil, e impetuosa...
(E eu vi os dias dos dias todos!)

(Poeta- Dolandmay)
Crepúsculo

"Largaste-a o tudo que não tens;
o que pensas de direitos teus
sobre as faces rústicas e de dor,
e em ti voltarás os dias de Sol."

(Poeta- Dolandmay)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Resposta!

Nos meus dias de tristeza, nesta esfera,
Neste globo Santo de vida e de morte,
Pareço-me uma praga vinda do norte
Qual uma folha seca que o frio dilacera...

Uma Alma bendita, mas posto numa era
Em que nos dias todo sofre tão forte,
E que vive a buscar as mantas da sorte
Do Deus que te veste, e voltar te espera!

Estão longe de mim às frases benditas,
As que aos meus olhos são infinitas...
As que no meu coração só rogam Amor!...

As minhas noites são frias, são mortas!...
Será que a mim Deus fechou as portas?
Espero-te meu filho! Respondeu o Senhor!

(Poeta- Dolandmay)

Fundamento

"...Apenas faça de teus Dias a prova
das coisas que te espera, e com que
seja dos teus olhos a visão de Deus;
visto com que a tua fé é o que o agrada."

(Poeta- Dolandmay)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

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Imortal

Entregaste-a como pensastes;
a alma, silenciosa no tempo,
vagueando por um além breve
das palavras curtas, no momento,
em que a te ensinastes os céus
a eternidade que a te escreves
os dias que passastes ao vento
do oeste, quando subitamente
não iluminastes a alvorada oira
do mar negro, gelado e morto,
e que sombrio fosses descontente
nas entranhas das noites frias.
Revelaste-a, o eterno conforto
o Anjo, no extenso dos teus dias!

(Poeta- Dolandmay)

Alma em Fogo!

Oh, alma que me veste
Dentro dos teus dias de amor!
Esperei-te por todo o tempo...

Chegaste pura de coração
Em fúrias, orgias e paixão
A conquistar o meu momento.

Estremeço no teu amar pleno,
No teu sentir vultoso e obsceno
Fluindo do teu corpo em fogo.

Sim, Amor, os teus beijos...
Que me queima a pele em desejos,
A rogar-me os afetos sem fim...

Almas, corpos sedentos...
O teu querer, os teus sentimentos,
Não dá pra esconder em mim!

(Poeta- Dolandmay)

Compaixão ao destino

Como podes viver em desespero pleno?...
Vives por desengano a te curar na alma
As melancolias, no afim, de fazer-te calma
Em beber o líquido do teu próprio veneno.

Desgraçado, estranha voz, peito pequeno
Que rompe os dias, que não me acalma;
E, a confiar na crença miserável da tu’alma
Com a tua água em solver eu te condeno.

Olhas para o mundo e vejas como é triste...
Viver por compaixão, sabes que não existe
Os dias que tanto queres p’ra se findar!...

Sabeis que este sentimento que te devora
Viverás por todo o tempo, não só por agora
Porque o destino que o guia faz-te amar!...

(Poeta- Dolandmay)

Nos distúrbios da razão!

Eu sei! Que todos os sentidos são de Amor!
Não me adianta dizer que existe um mal...
O meu coração ao seu coração inda é igual
A de todos que dizem sentir no peito a dor...

Por quê? Não sabes? Que ao teu esplendor
Tu és na busca do teu bem um ser anormal?
Sabes que te amará sobre tudo que for fatal
A conhecer o que te buscas no seu langor!?...

Eu sei! E tu sabes! Que, viverás sem perder
Todos os sentimentos que te levam a crescer
Sem pensar no amor que na alma todos têm!...

Mas que tu não sejas esplêndido de paixão...
Que tenhas no teu ser o bom ânimo da razão
A sofrer os distúrbios da vida d’um alguém!

(Poeta- Dolandmay)

Dias Santos!

Daqueles malditos seres iludidos
Que na minha frente eu vi passar...
Aprendi que são uns tolos caídos
Que nem mesmos sabem amar!...

Os meus dias são santos benditos,
As minhas noites brandas ao luar...
Os meus amores são loucos! Fictos,
Que não me souberam abrandar!...

Trago no meu peito um regalo forte
Das brisas mansas d’um norte
Onde poucos advirão de conhecer!

Para os idolatrados seres pagãos
Erguer-me-ei aos céus minhas mãos
Para que saibam Amar!... E Viver!...

(Poeta- Dolandmay)
Seres ao vento!

Andam loucos e desgastados por mim
Todos estes seres malditos de ilusão!...
Rogam como porcos imundos, por o fim
De os meus dias a destruir meu coração!

Fracos, como penas de gansos ao vento,
Como vozes a suplicar na noite fria...
Seguem-me ao luar, rogam-me lamento
Por as tuas mortiças ilusões a luz do dia!

Não sabem que sou um Poeta destemido,
Que por as almas todas sou concebido
A livrá-las das maldades dos olhos teus!...

Ou, talvez, não saibam que eu sou ainda
O ser que podes beijar-lhes a face linda
Quando rogarem por eles mesmos a Deus!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 13 de dezembro de 2009


No além de mim

Dou-te a concessão
a entrar nos meus sentidos,
a vincular o destino
que te prendes à minha razão.

Deixo-te entrar nos meus dias
E nas minhas noites de solidão,
a tentar descobrir
as fúnebres e tensas cobiças
que me altera o existir.

Libero-te a revelar a idolatria
que me abrasa a alma,
que se estende no louco sentir
do meu imenso coração.

E quando estiveres no alívio
da minha voz embriagada
cubra-me com o manto branco
do querer que te dominas,
que ambiciona e te envolves
sob a minha louca paixão!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 8 de novembro de 2009

Dias de sombra!

Oh dias nostálgicos
por palavras quietas
que no meu peito
sinto em desespero!...

Eu sou dos teus dias
e os teus dias são os meus!...
Eu sou a rocha que ninguém vê,
o azul tão triste
a folhar-te a mente!...

Trazes a mim o teu amor
porque fazeis o anjo da vida
o teu espelho!

Não razoai mais os meus dias
porque já sou da tua estrada
o teu eterno caminho!...

(Poeta- Dolandmay)

terça-feira, 27 de outubro de 2009


Um Louco Sonhador!

Saudades que me invade, em ilusão...
De um amor que não aconteceu, ó dor!
Que bem, ó sonho, não fosse de amor,
Talvez não quiseres o meu coração!...

Já bem que tu foste ao teu esplendor...
Por que não voltas?... Deixaste solidão
Neste louco Poeta que já sofres o rigor
Desta vida tão fria de sagas em vão!...

Sim... Sou louco! Não sabes? Vou dizer:
Entendas como podes, um amanhecer
Dum sofredor que a noite sofre também!

Sou alma, sou vida, que tanto sonha!...
Talvez se eu tivesse alguma artimanha
Faria por mim louco o amor dum alguém!

(Poeta- Dolandmay)

O meu querer!

A minh'alma anseia-te! Ó chama viva!
Fogo luzente da vida, de todo o ser!...
Que te roga soberana, bela e altiva
Por arder no teu tíbio, cantar e viver...

Minh'alma de tão louca te sonha, cativa
Flamejante e perfeita no teu querer...
E, na mais vaga noite, ver-te sensitiva
A queimar-me na pele o teu bel-prazer!

Ó ânsia, que no meu peito tanto chora!...
Embriagado por ti, que fosse outrora
Já que presente por hora quer-te sentir!

Que ardente tu venhas a me encontrar...
No teu rigor extremo, às ondas do mar!
Que me faça pela lua inteira, o teu luzir!

(Poeta- Dolandmay)
Luz da Noite!

Uma voz!
Um desejo!
Uma paixão!

Um olhar!...
Um sorriso!
Um coração!

Um desespero!
Um sonhar!
Um amor!

À luz do dia!...
No peito é dor!

Uma manhã!
Um entardecer!
Uma noite!

Volta o ser!...
O esplendor!

(Poeta- Dolandmay)
No seu impossível

Na noite escura do teu penar
Sou vento, que te roga santa,
A brisa que acaricia, e manta
Que te envolve o rosto, o ar!

Sou o ser que vaga, a portar
Na candura que em ti canta...
Sou a melodia fina, e infanta
Que na tua alma quer entrar!...

Quero o teu corpo envolver...
No teu arrepiar frio te sentir,
Nas tuas entranhas, se perder!

Trago-te a chama do existir...
Os desejos, o amor, e o viver
Que tanto esperaste, por vir!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 18 de outubro de 2009


Esfinge

Ora, se há apenas um conceito do amor,
fazeis entender o que roubaste, o coração!?...

(Poeta- Dolandmay)