quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Dest’arte

Sou aquele que desperta as almas escuras:
Enigmas da noite, por todo esplendor...
Em que vagam, por abstinências e dor,
Dos meus olhos fechados são murmuras...

E os elevo, à grandeza de vossas alvuras...
— Ó vultos transparentes de visão ardor —
De minh’alma cansada, e de vos pecador,
Que os mortais não nos vejam amarguras!

E na profundeza vã das miragens, aberta,
A porta dos espíritos vãos, que desperta,
Que nos revele o dest’arte do amor-pagão...

E na noite, pálida, a‘lma branca que vaga,
Sob o imenso olimpo de fogo, agonia apaga,
E os vês, dias de glórias sob vossa ilusão...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


Insultos

Que nada for de estranho, sente.
Mesmo em mim nunca viram nada!
Amor complexo ao coração apaga!
Que rosas perfumam toda a gente...

Que tudo a minh’alma é indiferente.
Que sou um ádvena numa estrada...
Que sou duma paixão crucificada,
Aos olhos dos Altivos, independente.

Nada me importa se cobras ou ratos,
Se comedores de almas ou sonhos,
Nada me importa se só eu me vejo...

Sou como me sentem aos regatos,
Um fruto sob as almas dos inconhos,
E dos amantes de flor, um só desejo...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


Os sete Arcanjos
(Revelação)

Arcanjos de bálsamos celestiais,
Misturam-se aos meus versos, lentos,
No ocaso dos meus desalentos,
Nas constantes vozes dos meus ais...

Vêm a mim em delações reais,
Em olor de pejos aos meus rebentos...
Erguem-se aos ares dos meus intentos,
Como cupidos de rosas de anais...

Arcanjos de bálsamos dos meus dias,
Dos incensos das noites frias,
Revelam-me a ira do Deus do jardim!

Momento em que velemos o mundo...
Momento em que se fez moribundo,
Em que eflúvios se revelaram ao fim...

(Poeta Dolandmay)

sábado, 21 de janeiro de 2012


A voz e o Poeta

Como posso estranha voz que me guia,
Eu gritar pro mundo o vosso amor e chorar
Se a cada instante me fenece a alegria,
Se a cada instante à minha boca é sangrar?

Nos meus olhos já não há lágrimas... Fria
É a minh’alma, o meu coração já não é amar...
O mais alto que o sol esquenta, à esguia,
São meus pés calços que já não é suportar!

“Perguntas sem que me entendesse direito!
Nos céus, meus sons cantam estrelas...
Na terra, teus murmúrios me são de amor!

Deus deu aos teus cantos o coração perfeito!
Que invocas, em mim, às cantigas belas
Pra gritar em ti, oh, meu Poeta esplendor!”

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Ingênuo

Quem sabe, então, o que antes fostes,
Um encantamento as delícias de amor,
Dizeis-me a notar-me outro furor,
Sem que cousas vossas me encostes...

Que sei, no entanto, que de esplendor,
Outrora, apenas, quando pentecostes:
Festejo que anjos em celebridade postes
À memória dum único que amar fuor...

Então, não me inventam cousas outras;
Dizeis-me que fizestes dum encanto
O afeto que por todos os ventos sopras...

Bem como me vago, a pântanos afora;
Que dum Poeta me notado canto
Ao Deus de amor e por tos que chora...

(Poeta Dolandmay)

Magnífica
(A anjo Mira)

Como em prantos de apojos, secular,
Mulher das rochas e das flores,
Que de paixão alimenta os amores
Dos anjos, e dos bálsamos peculiar

Com os magníficos azuis de seu olhar,
Dos lírios, das rosas, de seus pudores,
Banhas a terra dentre as dores,
Como os céus a fizeram, deslumbrar...

Cantiga entre as almas do deserto
O oculto sentimento das promessas,
E envolta aos caminhos da aurora

Como a magnífica dos jardins aberto,
Troveja em assombros, e remessas
A dor dourando os ares como outrora...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012


Saudade...

Dizer o que sinto talvez seja incerteza.
Aloucada aos meus versos passa à dor...
Quisera ser o tempo do nosso amor;
Convulso, insensato, pranto e tristeza,

Mas alto em vaidade, paixão e beleza.
Se porventura em razão fosse eu pecador,
Pudera teus pejos sem voz de primor?
Ó saudade, que perdure a tua nobreza!

Pois assim, contudo, sou transloucado!
Vivas de desejos em nós lado a lado
Rompendo as friezas dum sentir breve...

Que insensatas me sejam tuas torturas,
Por alma que te vive nas amarguras
Quais as convulsas letras que te escreve...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


Devorador de pecados

Enlouqueces e crias tentações subumanas;
Abutre gentil, afamado em coerência pura,
Submete em bálsamos ricos e perdura
O teu cerne podre, que em alma enganas.

Trai! As promessas de ouro em armadura.
Gafado em tuas cobiças, mente e fanas
As torturas que remete, e emanas
Na persistência dos poderes que lhe dura.

Piedoso, julga-se a alquimias transparentes.
Na aura dos teus ares, o acaso suporta,
Como a imensidão dos enfermos dependentes.

E, endoidecido sob o deus que lhe importa,
Rebate a fogo, quando os teus olhos quentes
Enfurece os espíritos de fragrância morta!

(Poeta Dolandmay)

sábado, 14 de janeiro de 2012


Murmuram...

Como seres benditos que desceram
Sobre a terra dos pecados, malditos,
Vagueiam desesperados... E aflitos
Subjugam a santidade que perderam!

Anjos que às maldições se renderam!
Anjos que adormecem os espíritos
Em teus fólios de cristais, e fictos,
Sob a luz que desce me envolveram!

Julgam-se aos meus olhos claridade...
Por amor, e de paixão, e de vaidade,
Por trovador, embriagado, e absorto!

Os teus olhos são caídos à minh’alma...
Frios, por se esquentar a noite calma
Na falsa e morta luz do meu conforto!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012


Renascer

Tudo que me é morto, ou podre, ou indecifrável,
Tudo que me é de pecados ou de incensos afrodisíacos,
Que me destrói nas impurezas dos sentimentos,
Que me fere o coração, e o corpo, e o espírito,
E não me alçam em voo sobre os amores de fogo,
Tudo que não me é cumprir os mandamentos e a justiça,
E os poderes, e a calma, e as glórias do firmamento,
Que são de tormentos, que são sem razão, em vão
Ou que são simplesmente incompatíveis a minha memória,
Por insanidades entre os mortais, e os anjos,
Tudo que não me faz perdurar no amor e na bondade,
Tudo que não me é no olhar o infinito,
Que não me ambiciona na conquista da eternidade,
Que me faz de um só murmúrio, fólios e mito...
Que tudo me seja de inconstâncias, e de provas absolutas;
Porque nada é intransponível ao renascer de um sol!

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012


Ao luar de apogeu...

Eu sei lá se sou alguém
Cá nesse mundo onde não se é ninguém...
Talvez mais um rastejante
Neste astro de poeira e desdém!

(Poeta Dolandmay)

Mas que brilhar em ardentia...

Se que as chamas brotam do calor;
assim como o Poeta ressurge das cinzas.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


Reverso...
(O Poeta e a Glória)


Se que eu for demais. Ao mundo,
Em que eu murmuro e canto,
Se que for de voz altiva, e profundo,
D’alma leve em que me acalanto,

Dir-se-eis: e vencido o verso meu!
— Outrora ouvir que não fosse nada,
Um bendito, de luz que se apaga,
Um anjo, sem se quer voar morreu.

E que, de humana voz que canta,
Que endoidece e que encanta...
— E nada; se for de orgulho e riso,

Pois, que tudo é tão igual a tudo,
E nasce, e ama, e à terra fica mudo,
E a Deus repousa ao mesmo juízo!

(Poeta Dolandmay)

sábado, 17 de dezembro de 2011


Ao esplêndido

“O poema se lê com a alma;
e nela nada se deixa de entender!”

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


À Dama d’Elite

Dantes eu pregado aos teus desejos,
Exaltado ao teu odor, eu murmurava
Por cobiça ao vigor d’os teus pejos,
E o meu amor de paixão s’edificava...

Que, hoje me abrigo aos teus ensejos,
De fim aos anseios, que desventurava,
Dos tormentos que ainda eu protejo,
Dos teus aromas que me enfeitiçava...

E por minha tortura de infinito amor
Inda rogo aos céus: que a ti proteja,
Para toda a infindável paz-imaculada;

Que nos enfeitam ao mesmo esplendor
Por séculos e, por séculos alegre seja
A tua infinita fragrância-deslumbrada!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


A um Poeta

E vozes interagem o que escrevo!
Na minh’ alma o silêncio corta,
Dizendo o que sou e o que devo,
Dos meus olhos já de água morta!

Sussurros estranhos igual ao meu?
Deuses choram versos mortos...
Não sou de brado igual ao teu!
Só canto as mágoas que conforto!

Nuvens, Poeta, cobrem o meu dia!
O sol de esperança, me é fantasia
Como as preces que clareia e sente...

Os meus segredos, eu te desvendo:
Penso o que pensas d’ alma lendo
O que sou à boca já de toda a gente!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


Quando da minha luz

O dia estava triste! O céu estava escuro,
Vozes vagavam aflitas ao vento,
Na imensidão do meu sarcástico convento;
— A agonia que ao meu peito perduro!

A chuva que caía era fina, o cântico impuro,
E o meu espírito tenebroso e lento,
Dentre a minh’alma de aflição e desalento
Orava aos céus o fulgor que me conjuro:

— Cânticos incrédulos sem amor e graça,
Que nem de ardor e de esperança a prender
Amenizam os dias de dor e desgraça!

Almas rezavam por alegria que impressiona,
Que de tristeza vagueia a perecer: —
“Deixa-o à luz, no mesmo amor que a toma!”

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011


D’um amor edênico
(O tremor primeiro)

Nada me foste tão breve e inconstante,
Vago e triste... Apenas um momento
De incerteza ao meu ignóbil julgamento,
Ao meu miserável coração amante...

Nada me foste de tão pouco instante,
Trêmulo e hábil, de mutável pensamento,
De inconstâncias precárias e tormento
Ao meu sobrevir de aclamação prestante...

Triunfo extremado, de amor e de orgia,
Paixão e desejo; afrodisíacos odores
Que me inibem, que endoidece e fantasia

O firmamento, do meu corpo honrado,
Notável e humano! E de seus amores,
Nada me foste de melancolias e pecado!

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Insanidade

Por que de vida estranha pôde o amor?
Que sentimento corrompe e engana
Em gume desejado, sem que o fosse dor
Numa vida ardente e de alma insana?

Por que de vida alheia a paixão profana?
Quais eloquentes vozes de condor
Ao brado de anseios duma alma humana
Pôde o coração sem que a fosse ardor?

Antes inspirados em desejos poucos
Os meus lábios ávidos e inconsequentes,
Que fosse a sofrer eu em sonhos loucos...

Móvel no qual me ponho a dormir
Sentindo os castigos das cobiças quentes,
E que nada de insano fosse a eu devir!

(Poeta Dolandmay)