sexta-feira, 14 de outubro de 2011



Das excelências...

Tudo está ao sol!
Tudo está florido!
Tudo está perto!

Mas, na multidão,
tudo é escuro,
tudo é solitário,
tudo é distante;
por nada sabermos
compreender...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011


À flor de lírio

Se que eu poderia disjuntar do mundo;
Ato descontente à vida inteira...
— Por ser complexo a alma-primeira,
Que ternos amores foi-se eu profundo?

Se que eu poderia a ser um maribundo;
De mim sugada a flor companheira...
— Instantes mortos quais de a videira;
Que perder os frutos já por um segundo?

Flor de planos sem que de pouco amor
Vinda às figueiras já com seu primor
Nos espinhos transformados em escudo...

Se galhos compridos em seu vil destino,
Como estranho se quer um desatino
Porquanto a amo já bem mais que tudo?

(Poeta Dolandmay)

Essência completa

Como poderá algo ser destruído
se não mais há uma pedra em pé?
Um amor de carne acaba, mas o amor de espírito
aos vínculos criados nunca acabarão...
O amor deverá que ser livre de transtornos,
e limpo de espírito.
Uma coisa pode ser a mesma coisa,
outra nunca pode ser uma.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Amor de primavera

Tão agradável é viver o amor bonito
Nas entranhas do infinito
Onde nasce a primavera...
Deixar a mente clarear um céu azul
Sobre as estrelas lá do sul
Onde a saudade não se’spera...

Amor alegre
Que incendeia a lua amante
Renascendo em cada instante
Nos embalos da paixão...
Amor afável na imensa alvorada
Que se vem sem quer dum nada
Nos pulsar o coração...

Astro brilhante tão bonito de se ver
Nascendo a cada amanhecer
Alimentando as videiras...
Tão agradável é ver a vida se’mbalar
Da solidão que a faz ficar
Sem as almas gêmeas companheiras.

Flor que cresce do imenso infinito
É esse amor bonito
Que não se quer qualquer razão...
E a sua luz de oiro forte a crepitar
São dos reflexos lá do mar
Onde tudo é vivo e nada é vão...

Amor alegre
Que incendeia a lua amante
Renascendo em cada instante
Nos embalos da paixão...
Amor afável na imensa alvorada
Que se vem sem quer dum nada
Nos pulsar o coração...

Astro brilhante tão bonito de se ver
Nascendo a cada amanhecer
Alimentando as videiras...
Tão agradável é ver a vida se’mbalar
Da solidão que a faz ficar
Sem as almas gêmeas companheiras.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011


Como todo sonho...

Somente nós,
poderemos buscar a alegria,
e nos completar
com a que nos fazem;
se nos fizerem,
sem termos a nossa própria,
nada nos terá valor.

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


Sabatina

Não vou dormir sem me deixar existir
No tempo que ganhei de presente.
Fez de tua presença uma esperança
O amor de quem sou dependente.

Não quero ser um destroçado na vida,
Quero ser amado no mundo.
Meu coração é um cerne amargo,
Mas meu sangue é vermelho profundo.

Quero acordar com o branco da lua,
Com os cânticos divinos do céu,
E nas colheitas que em mim perpetua
As flores d’um jardim sem mantéu.

E neste tempo que não faz amar,
Tão cruel, tão desumano, neste temor
Quero jogar minhas túnicas ao mar,
Quero provar o que Deus me deixou.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


Poética inspiração - Primavera
(O Alento)


Das noites frias e de ventos fortes,
Vem surgindo a vida, deixa as mortes,
O bálsamo do tempo cheirando flor.

Folhagens secas caídas ao chão...
A dor do ser por um tempo é ilusão
Os Poetas espremem, no peito, a dor.

Cantam a vida que vem surgindo...
Ao clarear do sol – o amor vem vindo
Quase em brasa, lenitivo de sorte.

São chamas, são deuses erguidos
Que das tuas noites são, zumbis caídos
E das primaveras, são norte.

(Poeta Dolandmay)

Tempo de criança

Se num momento passado
Tudo era esperança...
Em uma criança o que se busca
É um amor eternizado...

Se num mundo imaginado
Tudo é de cor azul,
Aos céus se faz mover
Os trovões emaranhados...

Se em cada voz o cantar
É de felicidade e promessas...
Desde tudo às faz passar
O Deus da vida, o bem amado...

Se das estrelas pingarem
Lágrimas de amor enfeitado,
De inocentes pedintes
O afeto dos céus é brotado...

Mas se por luas dormentes
O branco não for de paz,
Nasce da voz pequenina:
Das noites se tenha cuidados...

E assim se vão ao tempo
De cantos brindando o mundo,
De cada gesto em segundo
Ganhando os céus sem pecados...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 13 de setembro de 2011


Sem que, um dia, morreremos...

E quando pensamos que tudo está tranquilo,
A tempestade vem, e nos derruba, sem que
Possamos ter um ato de defesa, e tudo é vão...

O mundo se torna pequeno, e a água salgada...
No coração, apenas o veneno do sangue frio
O faz pulsar na calada e densa solidão...

E a flor não é mais o lírio, é margarida roxa
Enfeitando o jardim sob as nuvens mortas...
E tudo o que amamos nos passam a ser ilusão.

Assim os dias começam a passar sem que
Nos mostrem o fim do desalento intenso...
E o sol não brilha, e a lua não ama a paixão...

Mas tudo está correto! E não conseguimos ver
O cumprimento do que plantamos sem luz,
Do que odiamos e nos desfizemos ao coração...

E pássaros voam sem medo de cair, cantando...
Flores nascem às terras imundas e negras.
E nós, gritamos à vida numa eterna imensidão.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


Motivo

Por tudo aquilo que eu fui, que eu sou, e serei
Na distância em que o infinito me guarda...
E por tudo aquilo que eu ainda nem sei
E do que serei nessa vida que me diz amada
Mesmo assim, às vezes solidão, outras amor,
Mesmo assim, agora sem nada, sem fulgor,
Sem que os dias amanheçam sorrindo,
Sem que à tarde seja de calor, seja sem ar,
Sem que à noite não me tenha o luar,
Mesmo que as cantigas me cantam ferindo,
E os pássaros não voam, as flores não cheiram
E o mar seja cinza, e o sol não aquece...
Eu sei, que tudo é dos céus que me queiram
Sorrindo a prova do que em mim apetece
Sem que num adeus eu venha a abandonar
Aquilo que me foi dado, que me é, que me será
Um viver sem dor, de paixão e de glória...
Por tudo isso, hoje, me deixa a memória
Que sonhos não morrem e esperança é amar.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 30 de agosto de 2011


O início

Induziram as sementes
A não se exporem ao tempo de sol.
Distorceram os sonhos.

Induziram os olhos
Que enxergavam o fim da noite.
Ofuscaram os dias.

Induziram as cantigas
Que soavam em meio às montanhas.
Implantaram o silêncio.

Induziram as esperanças
Que se continham ao tempo infinito.
Pararam os relógios.

Induziram o amanhecer...
Que ficou denso, que ficou morto.
Surdiram os ouvidos.

Induziram o coração
Que pulsava em vaidades eloquentes.
Mas não compreenderam o amor.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 23 de agosto de 2011


Sob minhas bênçãos

Eu não julgo as pessoas más,
as desejo a luz dos céus, sempre...
Que os pecados deles
sejam consumidos pelos anjos do bem,
e que os renovem na infinita paz
quando desse mundo se forem...
Eu sei que muitos irão me ignorar
nos meus momentos de felicidade,
mas eu sei também
que muitos irão me sorrir...
E os que me sorrirem,
que Deus os abençoe na felicidade,
e para os que me ignorarem
também; pois verão, o quanto é forte
uma benção de alegria...

(Poeta Dolandmay)

sábado, 20 de agosto de 2011


Meu livro

O tempo passa... Que pena o tempo
Não se disfarça, não me persiste...
O tempo passa... Lá vem o vento
À minha face, que nada existe...

E vem o tempo... Que não é tempo...
Olha ela aí, — minh’alma triste...
E vem a noite; meu sentimento
N’ la sem lágrimas que me resiste

...Visão sem olhos, corpos sem luz,
Amor sem cor que não traduz
O espaço fúnebre de seu infinito...

Lá vai a vida... Tempo sem nada...
Sem quer paixão nem gargalhada,
Vão-se em fólios, desejos, e mito...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Ressurreição

“Eu deixei que o mundo falasse de mim,
Que me vissem como um mendigo.
Eu deixei que todos me vissem assim:
Ele é aquele que roga aos céus, perdido.

Nesse mundo de vaidades eu fui perigo.
Aos reis, santo sem morte e nem fim...
Donde o amor não morre fui querubim.
E o meu sangue ao mundo, esculpido...

Daquele de que fui traído, beijei a face,
— Do mau que o ordenava ficar de pé
A ornar o meu corpo triste sobre a cruz...

E daqueles que de mim, oração falasse,
Eis que os ressurge a salvação, e fé...”
Disse aquele que nos deu a vida: Jesus!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 21 de julho de 2011


Amor-Perfeito

Não, desta vida não quero mais nada!
Já tenho tudo! Porque Ele me deu
As grandes asas para voar na alvorada
A atravessar o mundo entre Ele e eu...

Não tenho mais medo da madrugada,
Nem tenho medo de quem a viveu...
O amanhecer vem na terra encantada
Sobre a alma pura que não pereceu!

De tudo em mim restaram os amores...
Puros, infantes, amantes das flores
Por curvar-me no amor dos afetos teus!

Não fizeste de mim um ser puro ainda
Por antes de beijar-lhe a face linda
Porque Ele é vida! Porque Ele é Deus!

(Poeta Dolandmay)

sábado, 16 de julho de 2011


Dilúculo

Luz da manhã
Como o ouro da montanha alta,
Intocável virgem,
Conforto da noite morta...

Sonhos à brisa fresca
Beijando a face das flores,
O verde das árvores,
A alma vagante da noite...

Calor do sol
Aquecendo os túmulos brancos
E os negros, e os perdidos
Na esperança do conforto...

Luz da manhã
Como a face dos anjos eternos,
Dos sonhos inocentes,
Das estradas silenciosas...

Mesmo o meu corpo frio
Desconhecido aos céus,
Nas promessas eternas do tempo,
Elevai as minhas grandezas...

Luz da manhã,
Que os teus sorrisos eu não perca
Nas horas do dia,
No crepúsculo da vida...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ao vento

A noite vem chegando, meu amor,
Cantas-me baixinho a tua canção...
E os meus ouvidos em solidão,
Deixa-os embriagar ao seu primor...

Cantas minh’alma ao seu esplendor,
Deixas que pulse o meu coração...
E no meu ilusivo à devassidão,
Cantas-me baixinho a minha dor...

Há gargalhadas que não são sorrir,
Há ventos que não são cantigas
E há lágrimas que não são chorar...

A minha dor na noite, se passa a rir
Em cantos inquietos, que antigas,
Foras os dias por meu amor cantar...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 7 de julho de 2011


À Solidão

Nessa terra que eu sei lá se têm alguém
Eu vou caminhando ao meu destino
Sem saber dele, ou se dele em mim contêm
O que eu sempre busquei aos desatinos...

Nessa terra que eu não vivo pra ninguém
Há em mim murmúrios de céus divinos...
São as estranhas vozes do meu além,
Da angústia extrema em que eu peregrino...

Os medos me dominam por toda a estrada,
Mas em mim há uma luz, uma alvorada,
Uma esperança por vaguear esse caminho...

E nessa terra em que eu não sou ninguém,
Um estranho que aqui não se sente bem,
Talvez, o meu destino não seja ser sozinho...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 6 de julho de 2011


Outrora

Saber o que eu fui? Ah, eu não sei!
Talvez, eu fui um vil, sei lá o quê...
Pois que a esse mundo me despertei
Como mendigo que ninguém vê...

Sim, devo ser quem dantes julguei:
“Coitadinho!” Oh, vida, tal qual você!
Pois que nem agora a encontrei...
Hoje eu vivo assim... Sei lá por quê!

Eu vivo assim: “Como um coitado”
Em versos loucos e endoidado
Procurando rosas onde não têm!

Mendigo! Sem nada! Eu sei que sou!
Que vive a procurar por um amor
Numa terra que nem sei ser alguém!

(Poeta Dolandmay)