sexta-feira, 18 de outubro de 2013


Da paixão ao fogo

Enlevado afeto que ao profano sente
O beijo em fogo no queimar a pele,
Que no fulgir paixão em corpo vele
O desejo arder no cumprir da gente!

E findar ardor que não for contente
No aventurar de luz, e, por aquele,
Se desdenhe em sede ao ardil mobele
No enlevar em flor o beijar ardente!

Que do suposto, aventura se vigore!
No acender a chama em mais primor,
De eloquente a cobardia se devore!

E no exaltar tão mais profundo ardor,
Que em disfarce gentil, implore
No emular mais alto, (o vosso amor!)

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013


Canção do amor em paz

Porque ao mundo é pra amar
Da forma que se convém
Mesmo se triste se encontrar
Porque à vida o sol se vem
De forma que se faz brilhar
Mesmo sem ter o mesmo bem...

Porque em tudo faz cantar
De forma simples pra sorrir
A buscar o amor cumprir
Mesmo sem ter o mesmo ar...

Se talvez fosse ao esplendor
Se tivesse em tudo o mesmo amor
E toda vontade fosse a mais
Aos prantos não teria a dor
Seria o chorar de amar em paz...

Pra que seja então cumprido
O amor cheio e infinito
Em tudo aquilo que não se tem
Há de buscar em luz viver
Cantar, sorrir, chorar também
E a todo amor compreender...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013


Amor de aspecto

Sentimento, tão mais alto que a dor;
Solidão convulsa desalentada
Pela contextura mal feita e amargurada
Aos acalantos sem mesmo amor.

Ilusão, de apenas um peito em vigor;
Paixão que se eleva mais amada
No perdurar confuso, trama desdenhada
Que tece o linho leve e sem cor.

Que sem medida, a nenhum corpo serve...
Euforia causada; um coração que ama,
Que endoidece, e num só olho escreve

Elevado tão mais alto, mais que a chama;
No morrer opaco d’alma em neve,
Sem sol, ao tão pouco amor que clama.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 1 de outubro de 2013


Viver de alta chama

Se o intento dos meus dias é de amor;
Vencido a minha penumbra desgastada
Contida a me compor a lua amada
Oferecida ao meu caminho em sol fulgor...

Que ao além de mim nem mesmo a dor
Por vezes nas torturas renovada;
Por tantas pretensões na longa estrada
Venceu a vida que a serviu em tão primor.

Que a tantos ofereço em alta chama
Presa ao meu peito sem chorar de arder
Vivendo e cantando o mesmo bem...

Que vencido o afeto ao coração que ama;
Que composta a ventura a se exceder
Nos complexos benditos que a todos têm.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 24 de setembro de 2013


Maior pecado

Imenso amor que ao meu peito guardo,
Tão maior, não há de ser noutra vida
Que a eleve em despercebida,
Que de encantos se caminhe em fardo.

Tão maior, não há de ser em fogo-árduo
Nem de afetos que ao coração não lida,
Que de su’ existência incandescida,
Que dos cânticos que ao sol aguardo.

Amor meu, que dentre paixão me ferve,
Onde não há de me veem leve
Nem aos enganos que o fazem sorrir...

Sentimento louco em que de mim existe
Não há de ser noutr’alma em riste
E nem há de ser maior pecado a vir...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


Afeto

O tenho porque a vida me deu, portanto,
Para mantê-lo altivo e forte
Sem que o tenha de repente à morte,
O complemento de essência um espanto!

Sempre o mantendo de perfume infanto!
Sempre o ouvindo de inteira sorte!
Que morrer não fosse nunca a norte
Cantando... e sorrindo... chorando e tanto.

Ao sol alto e de infinito o ando viver...
De sorrisos largos, complexo, equivalente;
Que o tenho a propósito de encontrar...

Que no mesmo recesso e ao mesmo querer
O sobressalto, portanto, a toda gente,
Que o amor nos seja a vida, o som, o ar...

(Poeta Dolandmay)

sábado, 14 de setembro de 2013


Verbo–amor

Não! Não precisa amar! Eu sei que é triste!
Mas, olha, me disseram que é bom!
Que ao peito de todo lo’co existe!
Que se conjugado faz-se rir o coração!...

Quem me disse? Sei lá! Por que insiste?
Deve-me notar p’ra não ficar em vão!
Cantar... chorar... viver... consiste
Se acalentar – (p’ra amar na imensidão)

Já me disseram que até se falta ar... Sei lá!
Se fo’ sorrir tá no peito... Onde?
Se fo’ paixão não trouxeram p’ra cá!...

O quê? Vamos tentar? Deus! – (rimou com dor)
“P’ra se’ bom tem que se’ triste!” Donde,
Minh’alma, que se conjuga esse tal de amor?...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013


Pagão

A vida segue-me andando
Sem que o destino possa-me compor...
Qual sol? Qual luar? Ando
Sem saber onde encontrar o amor...

Qual chorar? Qual mágoa? Pecando
As sombras desse caminho... Nem dor
A mimh’alma desdenhando
Possa-me servir qualquer vigor...

Lágrimas encontram-me à cadência...
Qual sofrer? S’em nada pensa
A esse falsando que ninguém viu...

A essa vida, eu respondo:
Vai andando... e cantando... compondo
A encontrar quem lhe sorriu!...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013


Coração

Ao teu pulsar, choram as noites frias,
Ao teu pulsar não há orgias nem pecados,
Ao teu pulsar, amam os falsados,
Zombam... o que sente dor, em euforias

Aos meus acalantos de temor e de agonias...
Na solidão dos fantasmas magoados
Que vagueiam, dentre as horas, desolados
Em minha voz, de cantigas fugidias...

A vida é cinza... e sem luar, e sem primor...
Em cadências rigorosas sem amor...
De pele fria, acalentada e sem paixão
Que vestem os sepulcros do meu corpo

Aos pedaços, desse miserável coração
No compulsar... triste, e zombado, e absorto...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 20 de agosto de 2013


O mesmo bem

Por onde andei... amigo, cantando...
Nada de mal encontrei comigo!
Pois, por onde passei fui edificando
O amor, que agora, divido contigo!

Nesta canção que te canto exaltando,
Trago-te aos pés descalços abrigo!
Ao coração o sorriso espelhando
O mesmo bem, que me tens, consigo!

E, cantemos ao mundo assim: veja,
A vida se traça quando se deseja
O melhor perfume as mãos amigas...

Pois, o mal invejoso desencontrado
Tende a morrer por se querer elevado
O amor de graças e de belas cantigas...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 6 de agosto de 2013


A minha dor

Deixa-me o esmagar da rocha crua
Sobre a minh’alma dolente e fria,
Que pelo o mundo arrasta ardentia
Já tão intensa... eloquente e nua.

A qual, de rumores, já se perpetua,
Que de convulsas dores, proferia
Sobre a estrada escura, que no dia
Adormece às sombras da candua...

Toda a peçonha já no sangue existe,
Olhar já baixo, curvo, triste
De sentir profundo e de amor negado...

Fecha-me os olhos perante a terra
E sob esta rocha a dor encerra,
Oh, deus da carne e do meu falsado!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 31 de julho de 2013


Morte

Morte! A porta certa e a mais bela
Entre a vida e a escuridão...
Luxúria maldita e luz que vela...
Que aos mortais, clareia em vão!

Sombria, e gentil, e rastejante...
Que me acerca... que por graça,
Inflama minh’alma e passa
A flamejar um amor prestante...

Um vestígio certo do que sou
Petrificado ao teu segredo
Nas noites frias sem luar e sem cor...

Que por te encontrar, sem nada
Seguindo tua luz, sem medo,
Eis em mim a tua dolente morada...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 22 de julho de 2013



A minha existência

Onde está ela? a ensandecida...
Aquela que me era pra ser tamanha,
ser fonte de amor com tanta lida...

Por que me deixou assim tão triste?
Por que a tristeza existe
a me enlouquecer sem verdade tanta...

Onde está ela? a iludida...
Quem há de me responder sem que vão
a tenha dentro d’alma possuída...

De quem é ela com tanto amor?
É de mim com tão espanto
que eu apenas sei onde anda sua dor...

Por quem é ela sem mais guarida?
De amar sem tão amor vou sem saber
onde anda ela... “a minha vida...”

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 16 de julho de 2013



A minha desgraça

O mais alto entre os abutres! Vão
De amor e ódio, descontente...
Sem luz, sem nada... ao sol poente
Flamejando em mágoas o coração...

O mais alto! Um fantasma ao chão
Rastejando em labirintos, dolente
Ao seu orgulho, e, unicamente
Qual um blasfemado sem paixão...

Um mar morto, uma estrela caída...
O mais vil, de aflição, sem lida,
No vozear de mais um são-pecador!

Sem vigor, e desgraçado, e triste...
D’olhos fechados, que à dor persiste,
No amar sem vida o próprio amor!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 11 de julho de 2013



Louco

Deste acaso imprecado sem razão,
Em que eu vivo a desventura,
Tudo é pálido, é morto, tudo é vão
Dentre a minh’alma intensa e dura!

Não me há sentimento de ilusão
Neste transbordar de tortura...
Que já inventivo à solidão
Transpõe os meus olhos e perdura...

Eu já tanto sinto esse compasso,
Que já me é amor, que já é laço,
Que já me é tormento de conforto!

E deste blasfemo que vence a morte,
Que sorrio pela vida, desta sorte,
Já me sou de afeto intenso e absorto...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 10 de julho de 2013



O meu ódio

A minha vida é d’uma saudade imensa...
Daquele que em mim pouco sente,
Num profundo notar, de toda a gente,
Daquele que vagueia e nada pensa...

Ando a desventura do que me intensa...
Ao meu falsado, sem que a frente
Eu consiga enxergar o que há contente
Nesta altiva agonia que me extensa...

Olhando por este mundo toda desgraça,
Do sentir que eu sinto, só por graça,
É o viver deste anseio dentro de mim...

E por este sentimento, por esta vida,
Do amor é o meu ódio, é a lida,
Que de saudade eu vivo sem ter um fim...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A minha casa



A minha casa

Amo-te, escuro-silêncio, dos amados,
Quais na tua solidão se alimentam!
Aos seus amores não inventam
Olhos caídos de sentidos conjurados.

Amo-te, escuro-silêncio, dos pecados,
Quais nos teus ardores amam!
Nas tuas entranhas cantam
Aos espíritos que te vagam desolados...

Das almas que a tua casa é conforto,
Sou de igual mendigo-absorto
No desejo ao teu perfume, em flor...

Amo-te, escuro-silêncio, das sepulturas,
Dos quais te morrem às amarguras
Por renascer dentre as verdades o amor.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dom de amor



Dom de amor

Amar demais! Que alma fosse amar
O escuro da noite morta...
Amar demais! Que vivo a amargurar
No silêncio em que me conforta...

Amar as penumbras que me suporta,
As convulsas dores no perdurar
Dos anoiteceres imensos, o luar
Que nem casto bateu a minha porta.

Sinto! Amo! Mas o que sinto e amo
São os confortos do meu engano,
São os fantasmas quais eu converso...

Amar que do meu peito é espanto!
Silêncio, luar, amargura é o que canto
De amor, que me deu a dom o verso!...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O medo e o Poeta



O medo e o Poeta

De qual vento vieste? Perdido
Sem composto ao chão, vagando...
De qual céu tu vens banido?
Em qual lua o teve amando?

Por qual estrela estás pedindo
Sem engaço de voz chamando?
Por qual amor vem vindo
Em tremente ardor gritando?

“Choras a solidão ao sol do norte
Como cipreste-calvo e, vão,
Vagueia tu’alma ao frio da morte...”

Queres ao meu peito qual paixão?
Do sepulcro já és a sorte
E na minh’alma a imensidão!...

(Poeta Dolandmay)