sexta-feira, 14 de junho de 2013



A dor e o Poeta

Porque sofre solidão, acalentado
Por tão pouco de carinho...
Porque de peito cheio e desdenhado
Procura estrelas no caminho...

Porque perdura ilusão, condenado
Na cruz da saudade e desalinho...
Porque carpir-se de pecado
A flor de tão melhor espinho...

Porque do sol vem seu desejo
De luz-perpétua e leve... e, em vão,
O cravar do idôneo beijo...

Porque sem fulgor, n’alma espera
O amor-encanto e, paixão
Mesmo ao peito cheio que o tivera!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 7 de junho de 2013



Constante

Por tão mais amor que cresce
Em qualquer outro canto,
É que dos meus sonhos falece
Meu coração ao meu pranto...

Por tão mais paixão que a minha
Em qualquer canto encontrar,
É que de amor passarinha
Meu corpo quente em pulsar...

Por tão mais desejo de instante
Em outr’alma prestante
Haver com mais intensa virtude;

É que o meu sentir endoidado
É dom p’ra pagar o pecado
De amar com tão mais plenitude.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 29 de maio de 2013



O diário e o Poeta


Que nada de indiferente à bondade, à fé e ao amor nos seja pleno!

Que aos ocultos de nossa alma o sol possa brilhar mais intenso

na esperança de novos tempos...
Que de sentimento puro, o amor nos seja saudades eternas...
Que de todos os dias, Deus possa nos aliviar a alma
e nos conceder noites de conforto!
Pois, qual coração é capaz de guardar um segredo de amor?
Que forte possamos gritar este sentimento!
Que das honras nos levem as glórias do bem-querer!
Que possamos transcender a alma na excelência do amor-perfeito!
Pois, o que seríamos sem os sonhos infinitos de amor?
Por tudo somos de igual sentimento:
Não sabeis do que tu és, mas sim de tudo que me deste
sob os teus carinhos esplêndidos!
Que nada de obscuro possa nos ofuscar a alma!
Pois, de qual ambição somos elevados?
Ah, o amor, que das razões é o perfeito!
Que aos pecados não nos julguem por amor!
Na vida, somos eternos aprendizes, 
pois que de orgulho nada nos alimenta!
Eu entendi! O que nos anseia ao coração é dizer: eu te amo!
Então, "que seja doce", simplesmente...
Por nos ser constância a vida, 
passamos por decepções diariamente...
Ta, então, que amar não nos seja sofrer...
Que nos seja a outra metade, uma lembrança pura!
Que de amor possamos aquecer a alma!
Que de melodias o amor nos possa vestir!
Que as promessas de amor nos sejam imensas...
Que os anjos nos reservem a eternidade dos céus!
Que nas noites, possamos sonhar 
no que nos é esplendor, paixão e desejo!
Que vivamos na busca eterna do amor!
Que nada de incertezas nos possam romper a esperança!
Que o anjo dos sonhos nos possa proporcionar sonhos tranquilos!
Que nada de mal nos possa pertencer,
e que sejamos dignos nas nossas bondades!
Que no nosso peito não carreguemos as mágoas, e sim
a esperança de um novo amor, mais pleno e belo!
Que na vastidão do amor sejamos em verdade!
E que sejamos dignos do amor-verdade!
Que possamos cantar a vida na alegria de viver...
Que nos seja o amor a razão de tudo; luz, esperança e paz!
(Eis uma nova vida, e os fatos que sorriram...)
Que o Senhor esteja atuando em vossos corações!
Porque alma eu sou e da vida me alimento!
Porque de mim, nada é absoluto!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 22 de maio de 2013



O meu conforto

Sol poente... noite fria! Cá estou! Sou eu.
Eleva-me à fragrância da flor morta...
Que do dia, me restou a vossa porta
Por voltar à luz bendita que morreu!

Sou do teu conforto de saudade
O teu grito erguido em trevas de infinito...
Prega-me à cruz da insanidade
Que sou de ti a história curta de um mito!

Sou eu! Cá estou! Abra-me seus espaços,
Minha cruz, onde morre a minha dor,
Que já breve volta à luz os meus cansaços...

Noite fria... solidão! Oh, meu amor!
Dá-me o conforto dos teus braços...
A ilusão dos meus instantes de primor...

(Poeta Dolandmay)


Você é louco?

Às vezes sou estrela.
Às vezes sou caminho.
Às vezes sou primor.

Às vezes sou trevas.
Às vezes sou alvorada.
Às vezes sou dor.

Às vezes sou esperança.
Às vezes sou Poeta.
Às vezes, sou amor.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 17 de maio de 2013



A minha bênção

Vida nua, mariposa das noites, fria
Qual um rio corrente, sem nada,
Sem destino e desvairada,
De caminho torto... de ardentia...

Vagueando curva de pecados, fugidia
Em preces dolentes, maculada
Rompendo o sol, e desgraçada
Como as rochas vagas... de agonia...

Silêncio de bênçãos... branca alma
Arrastando saudades... sem talma
Poisando os pés descalço em dor...

Vida além... Ah, pobre vida além...
A vaguear no mundo... sem ninguém
No mendigar dum só pouco amor...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 8 de maio de 2013



Ilusória

Deixa-me amar-te
unicamente em espírito:
sou do teu corpo humano
aquele sangue quente
que em suas veias
percorre frenético e compulsivo...

Tua imagem é como a lua
a clarear os meus sentidos;
porque em espírito
eu a conheço em amar-te...

Mas não me queiras
compulsar desejos vaidosos;
esperança lhe será em conforto,
todavia, à carne, me é
distante em conhecer-te.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 2 de maio de 2013


Foto: Lee-Jeffries


Os meus fantasmas

Não me venham dizer que me amam!
Nenhum de vós; pois, que mentem...
Neste mundo não estou! Andam
Junto à minh’alma os que sentem...

E sobre mim, cruéis, nada inventem!
Erguidos são meus sóis, não iludam
Os meus fantasmas, que se erguem
Junto aos teus pés que tão me julgam...

Andem junto a mim, sem mesmo amor...
As estrelas, vejam como eu vejo...
Sintam ao meu peito a mesma dor...

Mas não me digam amar o mesmo céu,
Nem que de vossos corações sou desejo...
Pois, vivo neste mundo, mas não sou eu!

(Poeta Dolandmay)


Piedade

Os maus,
para vencerem com o mal,
se unem...
Mas os bons,
pelo bem,
sempre lutam sozinhos.

(Poeta Dolandmay)

Foto: Lee-Jeffries


Do arrependimento

Não os deixem fazer contigo o que querem!
Não se arrependa de ser tratado com indiferenças;
Pois, não terás nada do que se arrepender!
Seja cheio das maldades contra ti!
Não se deixa surpreender por nada...
Muito menos por ameaça de arrependimento;
pois, quem terá que se arrepender,
é quem te julgas em injustiças...
Faça com que o sentimento do seu coração
e consciência seja mais forte que tudo!

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 30 de abril de 2013


Foto: Lee-Jeffries


Faz-se notar

Se vos me notarem sorrindo e cantando
Com uma aparência tão leve;
Pois, ao meu peito a dor que tece,
Já é ela muita! Na face, engano!

O sol é distante de mim, mas é ufano
Ao meu cerne vestido em neve...
Sorri o meu corpo humano!
Canta a minh’alma, tão breve...

Sou de muitos fantasmas! Sou facundo!
Os meus sentidos transmutam...
A minha voz é confusa... No mundo...

Cantem e sorriem comigo... Sou engenho
De dores convulsas! Iludam
Estes raros instantes que tenho...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 23 de abril de 2013


Foto: Lee-Jeffries


Elevado

O sol escaldante é do meu deserto.
Somente meu! No amargo da minh’alma
Resoluta... Que abraça, que acalma
Os gritos do meu peito aberto!

Ouço diante das penumbras, palmas
Das minhas mãos trancadas... Que certo
Desenha o mal que não acerto
Ao rebatar do meu cerne a talma!

O manto alvo é do meu conforto!
Nada que eu suplique será certeiro amor...
Sou de um mundo impuro e absorto...

Pra que endoidecer? Eu vou andando...
Nesse caminho pleno e de puro ardor...
Aos revolutos sóis que me vão gritando!

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 9 de abril de 2013


Aspecto

Nada lhes pude dar dos meus sorrisos,
as verdades claras e constantes...
Só por instante as inverdades, quais dos lírios,
a flor plena dum amante. Sois traça
das vestes que penduram aos varais...
Alma amarga de incertezas... Sois reflexo
e desgraça das aves brancas dos vitrais.
— Sol-espírito bendito do amor estimulado...

(Poeta Dolandmay)


Concordância de fatos...

Por qual essência? Por qual música?
Não sei! Talvez, pelo retendo que toca.
Antiga melodia cumprida... Talvez,
um momento ritmado ou uma voz infeliz.

Disse-me o profeta,
e disse-me os anjos das igrejas do sepulcro:

“Concordados ao amor são os fatos da razão!”

(Poeta Dolandmay)


Comentes

O que seríamos da vida sem os espinhos?
Quais parábolas nos fariam vitórias?
Vivam os dias por cada tempo...
Ao além do amor, ao além da vida...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 8 de março de 2013



Único Amor
A Florbela Espanca

Porque ela chorava... Ao fim de eras...
Porque nada lhe era completo...
Nem a voz, nem o som dum dialeto
Que aos gritos de saudade a fizera...

Rompiam-se os montes do infinito...
Que vinham por ela sem algum amor!
E guardava as trevas... E num só grito
Rompia-se aos versos a sua dor...

E regava de clareza infinita a sua voz
Num conflito triste de saudade...
Porque era dela o sol na imensidão...

Porque nada vivia ao seu algoz,
Em sua aparência triste e de bondade,
Porque era dela o peito cheio e vão!

(Poeta Dolandmay)

"In memoriam"



Vida e nada

O que buscas
Na imensidão?
Tão fria...
O beijo, a alma?

Triste conflito,
Buscas o amor?
Sem vida...
O Sol do dia?

Vinde perdidos
Sem chão...
Sem nada...
Buscas a calma?

Olhas adiante...
O que vês? A luz?
Sem luz...
De porta fechada?

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013



Obrigado...

Por vez que me foste o sol
na sua expressão modesta e pura,
da qual devoraste em amor
as minhas carências compassadas,
que sem claridade, sem noite, sem nada,
me brilhou como lua inteira
os teus próprios olhos de luz.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012



Depós o inverno

Aos sóis, num tempo de desventura,
Pregado ao amor e a tristeza,
O lírio ao vento espalha a beleza,
Formando-se paixão sem amargura...

Eleva-se, e cantiga, a lua-ventura
Das noites pratas, e, quanto mais acesa
Clareia aos campos em realeza
Juntando-se as flores sua candura...

E pecados não se ouvem de perverso;
Os bálsamos dispersam o reverso,
O jardim é um só complexo de fulgor...

As estrelas se completam as amadas,
E na fragrância azul das alvoradas
Renasce dentre as cinzas uma nova flor!

(Poeta Dolandmay)