segunda-feira, 9 de setembro de 2013


Coração

Ao teu pulsar, choram as noites frias,
Ao teu pulsar não há orgias nem pecados,
Ao teu pulsar, amam os falsados,
Zombam... o que sente dor, em euforias

Aos meus acalantos de temor e de agonias...
Na solidão dos fantasmas magoados
Que vagueiam, dentre as horas, desolados
Em minha voz, de cantigas fugidias...

A vida é cinza... e sem luar, e sem primor...
Em cadências rigorosas sem amor...
De pele fria, acalentada e sem paixão
Que vestem os sepulcros do meu corpo

Aos pedaços, desse miserável coração
No compulsar... triste, e zombado, e absorto...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 20 de agosto de 2013


O mesmo bem

Por onde andei... amigo, cantando...
Nada de mal encontrei comigo!
Pois, por onde passei fui edificando
O amor, que agora, divido contigo!

Nesta canção que te canto exaltando,
Trago-te aos pés descalços abrigo!
Ao coração o sorriso espelhando
O mesmo bem, que me tens, consigo!

E, cantemos ao mundo assim: veja,
A vida se traça quando se deseja
O melhor perfume as mãos amigas...

Pois, o mal invejoso desencontrado
Tende a morrer por se querer elevado
O amor de graças e de belas cantigas...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 6 de agosto de 2013


A minha dor

Deixa-me o esmagar da rocha crua
Sobre a minh’alma dolente e fria,
Que pelo o mundo arrasta ardentia
Já tão intensa... eloquente e nua.

A qual, de rumores, já se perpetua,
Que de convulsas dores, proferia
Sobre a estrada escura, que no dia
Adormece às sombras da candua...

Toda a peçonha já no sangue existe,
Olhar já baixo, curvo, triste
De sentir profundo e de amor negado...

Fecha-me os olhos perante a terra
E sob esta rocha a dor encerra,
Oh, deus da carne e do meu falsado!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 31 de julho de 2013


Morte

Morte! A porta certa e a mais bela
Entre a vida e a escuridão...
Luxúria maldita e luz que vela...
Que aos mortais, clareia em vão!

Sombria, e gentil, e rastejante...
Que me acerca... que por graça,
Inflama minh’alma e passa
A flamejar um amor prestante...

Um vestígio certo do que sou
Petrificado ao teu segredo
Nas noites frias sem luar e sem cor...

Que por te encontrar, sem nada
Seguindo tua luz, sem medo,
Eis em mim a tua dolente morada...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 22 de julho de 2013



A minha existência

Onde está ela? a ensandecida...
Aquela que me era pra ser tamanha,
ser fonte de amor com tanta lida...

Por que me deixou assim tão triste?
Por que a tristeza existe
a me enlouquecer sem verdade tanta...

Onde está ela? a iludida...
Quem há de me responder sem que vão
a tenha dentro d’alma possuída...

De quem é ela com tanto amor?
É de mim com tão espanto
que eu apenas sei onde anda sua dor...

Por quem é ela sem mais guarida?
De amar sem tão amor vou sem saber
onde anda ela... “a minha vida...”

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 16 de julho de 2013



A minha desgraça

O mais alto entre os abutres! Vão
De amor e ódio, descontente...
Sem luz, sem nada... ao sol poente
Flamejando em mágoas o coração...

O mais alto! Um fantasma ao chão
Rastejando em labirintos, dolente
Ao seu orgulho, e, unicamente
Qual um blasfemado sem paixão...

Um mar morto, uma estrela caída...
O mais vil, de aflição, sem lida,
No vozear de mais um são-pecador!

Sem vigor, e desgraçado, e triste...
D’olhos fechados, que à dor persiste,
No amar sem vida o próprio amor!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 11 de julho de 2013



Louco

Deste acaso imprecado sem razão,
Em que eu vivo a desventura,
Tudo é pálido, é morto, tudo é vão
Dentre a minh’alma intensa e dura!

Não me há sentimento de ilusão
Neste transbordar de tortura...
Que já inventivo à solidão
Transpõe os meus olhos e perdura...

Eu já tanto sinto esse compasso,
Que já me é amor, que já é laço,
Que já me é tormento de conforto!

E deste blasfemo que vence a morte,
Que sorrio pela vida, desta sorte,
Já me sou de afeto intenso e absorto...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 10 de julho de 2013



O meu ódio

A minha vida é d’uma saudade imensa...
Daquele que em mim pouco sente,
Num profundo notar, de toda a gente,
Daquele que vagueia e nada pensa...

Ando a desventura do que me intensa...
Ao meu falsado, sem que a frente
Eu consiga enxergar o que há contente
Nesta altiva agonia que me extensa...

Olhando por este mundo toda desgraça,
Do sentir que eu sinto, só por graça,
É o viver deste anseio dentro de mim...

E por este sentimento, por esta vida,
Do amor é o meu ódio, é a lida,
Que de saudade eu vivo sem ter um fim...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A minha casa



A minha casa

Amo-te, escuro-silêncio, dos amados,
Quais na tua solidão se alimentam!
Aos seus amores não inventam
Olhos caídos de sentidos conjurados.

Amo-te, escuro-silêncio, dos pecados,
Quais nos teus ardores amam!
Nas tuas entranhas cantam
Aos espíritos que te vagam desolados...

Das almas que a tua casa é conforto,
Sou de igual mendigo-absorto
No desejo ao teu perfume, em flor...

Amo-te, escuro-silêncio, das sepulturas,
Dos quais te morrem às amarguras
Por renascer dentre as verdades o amor.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dom de amor



Dom de amor

Amar demais! Que alma fosse amar
O escuro da noite morta...
Amar demais! Que vivo a amargurar
No silêncio em que me conforta...

Amar as penumbras que me suporta,
As convulsas dores no perdurar
Dos anoiteceres imensos, o luar
Que nem casto bateu a minha porta.

Sinto! Amo! Mas o que sinto e amo
São os confortos do meu engano,
São os fantasmas quais eu converso...

Amar que do meu peito é espanto!
Silêncio, luar, amargura é o que canto
De amor, que me deu a dom o verso!...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O medo e o Poeta



O medo e o Poeta

De qual vento vieste? Perdido
Sem composto ao chão, vagando...
De qual céu tu vens banido?
Em qual lua o teve amando?

Por qual estrela estás pedindo
Sem engaço de voz chamando?
Por qual amor vem vindo
Em tremente ardor gritando?

“Choras a solidão ao sol do norte
Como cipreste-calvo e, vão,
Vagueia tu’alma ao frio da morte...”

Queres ao meu peito qual paixão?
Do sepulcro já és a sorte
E na minh’alma a imensidão!...

(Poeta Dolandmay)


O mais alto

Qual saudade nos eleva mais? A do amor? A da verdade?
A da compreensão? Viva o novo... viva a nova luz!
Que as angústias possam dormir no amor!
Que vivamos cantando... e amando por toda a vida...
Que o desejo da bondade nos aflore...
Que vivamos o qual num vão momento nos pôs existir
num propósito único; amarmos-nos e amemos...
Que a energia desta nova luz nos possa aquecer...
Que de aparência não sejamos julgados...
Que de esmolas nos alimentem em amor...
Que de inverdades não sejamos grandes e displicentes...
Que o amor nos possa
encontrar mesmo nas noites de solidão...
Que possamos renovar a alma para um novo dia de sol...
Que venha o novo sol,
a vida e a esperança de novos amores,
mais plenos e belos... Pois, como poderá ser a noite morta
se aos corações vivemos a luz dum novo amor?
Que seja belo em nossos corações...
Que o diário da vida nos seja esplêndido de Paz!
Vivamos... consagramos cada segundo de sol...
E sorrimos... e cantemos: “Como a vida é bela”
Sem que nos esqueçamos da fonte e da luz perfeita: Deus!

(Poeta Dolandmay)


Liberdade

Se hoje vivemos em um tempo de livre expressão,
Por que nos restringem tanto? Quais os medos?
Que nada de incertezas e de arrependimentos nos domine;
para tudo há um conforto de prazer...
Pois, no vazio em que nos envolvem, sabemos que,
Nada somos, para quem, em nós nada é!

(Poeta Dolandmay)


Absoluto

E vêm novos dias... e vêm novos tempos...
E sobre nossas mãos estão todas as coisas...
Mas, no relógio da vida, qual virtude eleva um tempo?
Quais provas nos são mais absolutas do que a qual
nos eleva ao Deus de amor?
Que do mais alto sejamos eternos...

(Poeta Dolandmay)


Ciclo

O tempo passa... o dia se vai... e logo vem a noite...
Que a luz do amor nos alimente a alma
elevando-nos o espírito ao esplendor da bondade...
E nesta nova, possamos cantar a vida...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 20 de junho de 2013



O sonhador d’estrelas

Vagueando ao mundo de amor,
Amou... o triste sonhador d’estrelas...
Ao espaço do jardim sem cor,
Sorriu... a flor que pintou por elas...

Sonhou... por, vagueando encontrar
Delírios... orgias... e paixão...
E, sorrindo às luas, o amar,
O teve de imenso o feliz coração...

Sonhando... ao amor, sonhando...
Aos teus braços em pureza perfeita,
A tristeza o viu desprezando,
E feliz ao teu colo era a flor-eleita.

Amou... sorriu... e, aos astros do mundo
Dormiu e sonhou o Poeta profundo...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 17 de junho de 2013



O verbo Poeta

Nasceu, conjugou-se, amor
Em tudo que há de perfeito infinito
Na voz, n’alma; n’um só grito
Criou-se d’estrela esplendor...

Mas por nuvens escuras chorou
Triste, desdenhado, restrito:
Poeta de amor aos versos bonito
Que ao cantar, sorriu e amou...

Mas antes que não fosse o chorar,
Quais luas que veria profundo?
Se n’alma que não fosse o sofrer,

O que seria o cantar neste mundo?
De qual verbo seria o amar
Se o amor é cantar, e chorar, e viver...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 14 de junho de 2013



A dor e o Poeta

Porque sofre solidão, acalentado
Por tão pouco de carinho...
Porque de peito cheio e desdenhado
Procura estrelas no caminho...

Porque perdura ilusão, condenado
Na cruz da saudade e desalinho...
Porque carpir-se de pecado
A flor de tão melhor espinho...

Porque do sol vem seu desejo
De luz-perpétua e leve... e, em vão,
O cravar do idôneo beijo...

Porque sem fulgor, n’alma espera
O amor-encanto e, paixão
Mesmo ao peito cheio que o tivera!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 7 de junho de 2013



Constante

Por tão mais amor que cresce
Em qualquer outro canto,
É que dos meus sonhos falece
Meu coração ao meu pranto...

Por tão mais paixão que a minha
Em qualquer canto encontrar,
É que de amor passarinha
Meu corpo quente em pulsar...

Por tão mais desejo de instante
Em outr’alma prestante
Haver com mais intensa virtude;

É que o meu sentir endoidado
É dom p’ra pagar o pecado
De amar com tão mais plenitude.

(Poeta Dolandmay)