terça-feira, 16 de julho de 2013



A minha desgraça

O mais alto entre os abutres! Vão
De amor e ódio, descontente...
Sem luz, sem nada... ao sol poente
Flamejando em mágoas o coração...

O mais alto! Um fantasma ao chão
Rastejando em labirintos, dolente
Ao seu orgulho, e, unicamente
Qual um blasfemado sem paixão...

Um mar morto, uma estrela caída...
O mais vil, de aflição, sem lida,
No vozear de mais um são-pecador!

Sem vigor, e desgraçado, e triste...
D’olhos fechados, que à dor persiste,
No amar sem vida o próprio amor!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 11 de julho de 2013



Louco

Deste acaso imprecado sem razão,
Em que eu vivo a desventura,
Tudo é pálido, é morto, tudo é vão
Dentre a minh’alma intensa e dura!

Não me há sentimento de ilusão
Neste transbordar de tortura...
Que já inventivo à solidão
Transpõe os meus olhos e perdura...

Eu já tanto sinto esse compasso,
Que já me é amor, que já é laço,
Que já me é tormento de conforto!

E deste blasfemo que vence a morte,
Que sorrio pela vida, desta sorte,
Já me sou de afeto intenso e absorto...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 10 de julho de 2013



O meu ódio

A minha vida é d’uma saudade imensa...
Daquele que em mim pouco sente,
Num profundo notar, de toda a gente,
Daquele que vagueia e nada pensa...

Ando a desventura do que me intensa...
Ao meu falsado, sem que a frente
Eu consiga enxergar o que há contente
Nesta altiva agonia que me extensa...

Olhando por este mundo toda desgraça,
Do sentir que eu sinto, só por graça,
É o viver deste anseio dentro de mim...

E por este sentimento, por esta vida,
Do amor é o meu ódio, é a lida,
Que de saudade eu vivo sem ter um fim...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A minha casa



A minha casa

Amo-te, escuro-silêncio, dos amados,
Quais na tua solidão se alimentam!
Aos seus amores não inventam
Olhos caídos de sentidos conjurados.

Amo-te, escuro-silêncio, dos pecados,
Quais nos teus ardores amam!
Nas tuas entranhas cantam
Aos espíritos que te vagam desolados...

Das almas que a tua casa é conforto,
Sou de igual mendigo-absorto
No desejo ao teu perfume, em flor...

Amo-te, escuro-silêncio, das sepulturas,
Dos quais te morrem às amarguras
Por renascer dentre as verdades o amor.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dom de amor



Dom de amor

Amar demais! Que alma fosse amar
O escuro da noite morta...
Amar demais! Que vivo a amargurar
No silêncio em que me conforta...

Amar as penumbras que me suporta,
As convulsas dores no perdurar
Dos anoiteceres imensos, o luar
Que nem casto bateu a minha porta.

Sinto! Amo! Mas o que sinto e amo
São os confortos do meu engano,
São os fantasmas quais eu converso...

Amar que do meu peito é espanto!
Silêncio, luar, amargura é o que canto
De amor, que me deu a dom o verso!...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O medo e o Poeta



O medo e o Poeta

De qual vento vieste? Perdido
Sem composto ao chão, vagando...
De qual céu tu vens banido?
Em qual lua o teve amando?

Por qual estrela estás pedindo
Sem engaço de voz chamando?
Por qual amor vem vindo
Em tremente ardor gritando?

“Choras a solidão ao sol do norte
Como cipreste-calvo e, vão,
Vagueia tu’alma ao frio da morte...”

Queres ao meu peito qual paixão?
Do sepulcro já és a sorte
E na minh’alma a imensidão!...

(Poeta Dolandmay)


O mais alto

Qual saudade nos eleva mais? A do amor? A da verdade?
A da compreensão? Viva o novo... viva a nova luz!
Que as angústias possam dormir no amor!
Que vivamos cantando... e amando por toda a vida...
Que o desejo da bondade nos aflore...
Que vivamos o qual num vão momento nos pôs existir
num propósito único; amarmos-nos e amemos...
Que a energia desta nova luz nos possa aquecer...
Que de aparência não sejamos julgados...
Que de esmolas nos alimentem em amor...
Que de inverdades não sejamos grandes e displicentes...
Que o amor nos possa
encontrar mesmo nas noites de solidão...
Que possamos renovar a alma para um novo dia de sol...
Que venha o novo sol,
a vida e a esperança de novos amores,
mais plenos e belos... Pois, como poderá ser a noite morta
se aos corações vivemos a luz dum novo amor?
Que seja belo em nossos corações...
Que o diário da vida nos seja esplêndido de Paz!
Vivamos... consagramos cada segundo de sol...
E sorrimos... e cantemos: “Como a vida é bela”
Sem que nos esqueçamos da fonte e da luz perfeita: Deus!

(Poeta Dolandmay)


Liberdade

Se hoje vivemos em um tempo de livre expressão,
Por que nos restringem tanto? Quais os medos?
Que nada de incertezas e de arrependimentos nos domine;
para tudo há um conforto de prazer...
Pois, no vazio em que nos envolvem, sabemos que,
Nada somos, para quem, em nós nada é!

(Poeta Dolandmay)


Absoluto

E vêm novos dias... e vêm novos tempos...
E sobre nossas mãos estão todas as coisas...
Mas, no relógio da vida, qual virtude eleva um tempo?
Quais provas nos são mais absolutas do que a qual
nos eleva ao Deus de amor?
Que do mais alto sejamos eternos...

(Poeta Dolandmay)


Ciclo

O tempo passa... o dia se vai... e logo vem a noite...
Que a luz do amor nos alimente a alma
elevando-nos o espírito ao esplendor da bondade...
E nesta nova, possamos cantar a vida...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 20 de junho de 2013



O sonhador d’estrelas

Vagueando ao mundo de amor,
Amou... o triste sonhador d’estrelas...
Ao espaço do jardim sem cor,
Sorriu... a flor que pintou por elas...

Sonhou... por, vagueando encontrar
Delírios... orgias... e paixão...
E, sorrindo às luas, o amar,
O teve de imenso o feliz coração...

Sonhando... ao amor, sonhando...
Aos teus braços em pureza perfeita,
A tristeza o viu desprezando,
E feliz ao teu colo era a flor-eleita.

Amou... sorriu... e, aos astros do mundo
Dormiu e sonhou o Poeta profundo...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 17 de junho de 2013



O verbo Poeta

Nasceu, conjugou-se, amor
Em tudo que há de perfeito infinito
Na voz, n’alma; n’um só grito
Criou-se d’estrela esplendor...

Mas por nuvens escuras chorou
Triste, desdenhado, restrito:
Poeta de amor aos versos bonito
Que ao cantar, sorriu e amou...

Mas antes que não fosse o chorar,
Quais luas que veria profundo?
Se n’alma que não fosse o sofrer,

O que seria o cantar neste mundo?
De qual verbo seria o amar
Se o amor é cantar, e chorar, e viver...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 14 de junho de 2013



A dor e o Poeta

Porque sofre solidão, acalentado
Por tão pouco de carinho...
Porque de peito cheio e desdenhado
Procura estrelas no caminho...

Porque perdura ilusão, condenado
Na cruz da saudade e desalinho...
Porque carpir-se de pecado
A flor de tão melhor espinho...

Porque do sol vem seu desejo
De luz-perpétua e leve... e, em vão,
O cravar do idôneo beijo...

Porque sem fulgor, n’alma espera
O amor-encanto e, paixão
Mesmo ao peito cheio que o tivera!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 7 de junho de 2013



Constante

Por tão mais amor que cresce
Em qualquer outro canto,
É que dos meus sonhos falece
Meu coração ao meu pranto...

Por tão mais paixão que a minha
Em qualquer canto encontrar,
É que de amor passarinha
Meu corpo quente em pulsar...

Por tão mais desejo de instante
Em outr’alma prestante
Haver com mais intensa virtude;

É que o meu sentir endoidado
É dom p’ra pagar o pecado
De amar com tão mais plenitude.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 29 de maio de 2013



O diário e o Poeta


Que nada de indiferente à bondade, à fé e ao amor nos seja pleno!

Que aos ocultos de nossa alma o sol possa brilhar mais intenso

na esperança de novos tempos...
Que de sentimento puro, o amor nos seja saudades eternas...
Que de todos os dias, Deus possa nos aliviar a alma
e nos conceder noites de conforto!
Pois, qual coração é capaz de guardar um segredo de amor?
Que forte possamos gritar este sentimento!
Que das honras nos levem as glórias do bem-querer!
Que possamos transcender a alma na excelência do amor-perfeito!
Pois, o que seríamos sem os sonhos infinitos de amor?
Por tudo somos de igual sentimento:
Não sabeis do que tu és, mas sim de tudo que me deste
sob os teus carinhos esplêndidos!
Que nada de obscuro possa nos ofuscar a alma!
Pois, de qual ambição somos elevados?
Ah, o amor, que das razões é o perfeito!
Que aos pecados não nos julguem por amor!
Na vida, somos eternos aprendizes, 
pois que de orgulho nada nos alimenta!
Eu entendi! O que nos anseia ao coração é dizer: eu te amo!
Então, "que seja doce", simplesmente...
Por nos ser constância a vida, 
passamos por decepções diariamente...
Ta, então, que amar não nos seja sofrer...
Que nos seja a outra metade, uma lembrança pura!
Que de amor possamos aquecer a alma!
Que de melodias o amor nos possa vestir!
Que as promessas de amor nos sejam imensas...
Que os anjos nos reservem a eternidade dos céus!
Que nas noites, possamos sonhar 
no que nos é esplendor, paixão e desejo!
Que vivamos na busca eterna do amor!
Que nada de incertezas nos possam romper a esperança!
Que o anjo dos sonhos nos possa proporcionar sonhos tranquilos!
Que nada de mal nos possa pertencer,
e que sejamos dignos nas nossas bondades!
Que no nosso peito não carreguemos as mágoas, e sim
a esperança de um novo amor, mais pleno e belo!
Que na vastidão do amor sejamos em verdade!
E que sejamos dignos do amor-verdade!
Que possamos cantar a vida na alegria de viver...
Que nos seja o amor a razão de tudo; luz, esperança e paz!
(Eis uma nova vida, e os fatos que sorriram...)
Que o Senhor esteja atuando em vossos corações!
Porque alma eu sou e da vida me alimento!
Porque de mim, nada é absoluto!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 22 de maio de 2013



O meu conforto

Sol poente... noite fria! Cá estou! Sou eu.
Eleva-me à fragrância da flor morta...
Que do dia, me restou a vossa porta
Por voltar à luz bendita que morreu!

Sou do teu conforto de saudade
O teu grito erguido em trevas de infinito...
Prega-me à cruz da insanidade
Que sou de ti a história curta de um mito!

Sou eu! Cá estou! Abra-me seus espaços,
Minha cruz, onde morre a minha dor,
Que já breve volta à luz os meus cansaços...

Noite fria... solidão! Oh, meu amor!
Dá-me o conforto dos teus braços...
A ilusão dos meus instantes de primor...

(Poeta Dolandmay)


Você é louco?

Às vezes sou estrela.
Às vezes sou caminho.
Às vezes sou primor.

Às vezes sou trevas.
Às vezes sou alvorada.
Às vezes sou dor.

Às vezes sou esperança.
Às vezes sou Poeta.
Às vezes, sou amor.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 17 de maio de 2013



A minha bênção

Vida nua, mariposa das noites, fria
Qual um rio corrente, sem nada,
Sem destino e desvairada,
De caminho torto... de ardentia...

Vagueando curva de pecados, fugidia
Em preces dolentes, maculada
Rompendo o sol, e desgraçada
Como as rochas vagas... de agonia...

Silêncio de bênçãos... branca alma
Arrastando saudades... sem talma
Poisando os pés descalço em dor...

Vida além... Ah, pobre vida além...
A vaguear no mundo... sem ninguém
No mendigar dum só pouco amor...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 8 de maio de 2013



Ilusória

Deixa-me amar-te
unicamente em espírito:
sou do teu corpo humano
aquele sangue quente
que em suas veias
percorre frenético e compulsivo...

Tua imagem é como a lua
a clarear os meus sentidos;
porque em espírito
eu a conheço em amar-te...

Mas não me queiras
compulsar desejos vaidosos;
esperança lhe será em conforto,
todavia, à carne, me é
distante em conhecer-te.

(Poeta Dolandmay)