quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


FOLHA SECA

Talvez sim, talvez não...
Quem sabe então, talvez,
Um dia eu te cubra
Com as vestes do amor...

Um amor complexo!
Aquele que digo
Ser o fulgor das estrelas.

Quem sabe então, talvez,
Nas luzes que são delas
O reflexo contigo
Pode ser de mim sensatez...

Pode ser a sua verdade,
Por um minuto de saudade
Ou, talvez, de dor.

Quem sabe então, volte
Entre a paixão que te cobre
A lúcida verdade
Do que te seja o amor...

Talvez!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


À POETA DA ROSA BRANCA

“Quando disseste que me beijavas, mulher,
aos sóis que não te vias, nas noites
em que, em ti eram infinitas;
bendita era a solidão que te acompanhava.
Pois nela, raros beijos eu te dava, inflamados
de amor, e de paixão...
O teu corpo, tão quente era em mim...
E os teus versos, tão claros eram aos meus ouvidos.
A tua boca eu sentia, no beijo que não davas.
E nada do meu amor te era engano.
Tanto que eu a amava, e tanto ainda eu a amo!
E a rosa branca que carregas, contém a fragrância
dos amores reais de meu espírito,
que, agora, aos inversos, em suas mãos estão
há séculos, oh bela, onde fomos condenados...
E a eles, dignos teremos que ser.
“ELES” que nos rondam, e nos guiam aos céus.”

(Poeta Dolandmay)

“In mistérios”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


CÂNTICOS D'UM VATE

Nos mistérios que me rondam,
Dentre os amores de meu peito,
Que seja intenso e perfeito
O amor que me faz ora chorar...

Ora chorar, pelos que sonham,
Pelos que buscam em esperança,
Por se fundir as alianças
Das luzes do sol, e do luar...

Que a luz branca dos meus dias
Nunca conheça as agonias,
Por um leve sonho se perder...

Mesmo que nestes meus mistérios
Cometa-me os anjos adultérios
Para que a todos possam recolher!

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


SEDE

Por quê;
Talvez eu não saiba, talvez, eu não sinta,
O amor, que, dos céus se vem e fica.
Dourado como o fogo,
Como os dias que se implicam...
A vida, interminável, porém, de fases.
Uma vida contínua e única.
Não tão simplesmente azul, mas, contudo,
Unicamente minha.
Talvez as amortalhadas sedas que me cobrem,
E também a túnica que me inverte o olhar
Da luz, tão diferente à noite,
Talvez os ventos que sopram ao sul;
Em meus ouvidos sob a terra, tão frios,
Ainda me sejam mortos.
Mas, ainda se falam os anjos, aos alfobres,
De bálsamos, o meu nome intensamente.
Ou, talvez, sejam os lírios
Sobre o meu corpo em taboa,
Em meio a minha voz, “em sede de amor;”
O meu próprio cântico de esperança.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


Um ser – verdade

Trovador, não escrevas um poema
apenas por escrever-lhe...
O poema tem que sentir o Poeta.
O Poeta tem que ser o poema.
Não o enfeite, não o empilhe como galhos
para uma fogueira futura... o respeite!
Não lhe invente palavras ao vento;
porque não são tuas.
Os espíritos não se calam...
Há em cada poema a sua alma própria.
Há em cada “Poeta” o seu próprio Poeta.
Não há sofrimentos iguais.
Não há amores a mais.
Sentimentos não são dispersos...
Escrevas, trovador, somente de ti o que és,
pois, um Poeta, adormece
quando a sua alma vagueia...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


DESÍGNIO

Hão de brilhar as estrelas
ao espaço dos céus obscuros
e orgulhosos, e frios.

O astro bendito há de se por
entre a vida, entre o amor.
Amor complexo,
de esperança, e de justiça.

E esta voz trêmula que vaga
aos meus ouvidos cálidos,
há de me esquentar a alma
e os pés, e as mortalhas mãos.

Há de se erguer a lua
aos meus sentimentos de dor,
de aflição, e de medo.

E há de o tempo renascer
mais terno, mais doce, e quente.
O meu tempo, de promessas,
e de sonhos que não morrem.

(Poeta Dolandmay)
Divino esplendor

“Não deixas que almas obscuras
de reinos que não te pertence te ofusquem a Luz.”

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


À MULHER DOS OLHOS CAÍDOS

Quando os teus olhos eu vi cair ao tempo,
Embocados aos raios de sua tristeza;
Solidão oculta, do coração, que pulsa lento...
Cantei-lhe, o cântico infindo da destreza!

Quando eu te vi as sombras, amargurada,
Braços estendidos e os pés cruzados,
Estendi-lhe a rosa branca amortalhada,
Que a tanto desejaste, em seus brocados...

Vaga, oh, mulher, com o teu vestido azul,
Mistura-se em meio às estrelas do sul,
Porque o oiro do norte não te pertence mais!

Agora, é branda a tua amargura, e morta;
São suas lágrimas de amor que me conforta
Dentre a minha alma a escrever-te a paz!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Por o espírito infinito das nações

Os anjos guardam o monte de Sião
sobre os olhos infinitos de Davi,
e poeira, e pedra, e fogo se levantam,
o mar reflete os deuses de espadas,
e suas ondas são altas, e doces, e claras,
e os que as verem se gloriarão à terra;
que estão próximos os dias do Rei,
e o infinito amor do Senhor;
o Deus de todos os deuses, e de nações.

Preparai o teu corpo, e o teu espírito,
e os cálices de teu corpo que são puros,
e o coração da tua bondade à luz;
porque assim é o Rei, e assim o verás.

(Poeta Dolandmay)


“In Natal de esperança”

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


AO ANJO CELESTE

Anjo branco, dos céus em bandeiras,
De o teu fulgor que o faz iluminar
Clareia os montes ao brasão de luar
Como as invídias vozes de faceiras...

Damas das rosas! As que mais queiras,
Coração em pedra que o deixa amar
O cadáver orgulhoso, que as faz cegar
Aos teus murmúrios às vidas inteiras...

Cegas! Mas, às mãos, são como viver
Em meio as suas crepitantes fuselas
Que rogam e cantam... sem vos deter!

Místico ufo, do crepitar das estrelas,
Em séculos benditos do amanhecer,
Escuta-me! Lá adiante, às vozes delas...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


PRECE À SOLIDÃO

Solidão, que nos cega os sentidos,
Vem como uma lua negra e morta
Aos ventos murmurando à porta
Dos ouvidos plácidos deprimidos.

E, nos sussurros tenros atrevidos,
Que os são das trevas que nos corta
Guarda os dias brancos e suporta
Os lamentos aos tempos perdidos.

Solidão, que há séculos é virtude,
Que ao coração nos prega e acalma
A vida em ambição à juventude...

Vêm aos ventos e retorna à palma
Para que a noite não padeça e mude
Nas fortalezas do sentir... da alma.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


UM ALGUÉM E UM POETA

Ora, Poeta, por que hás de escrever
os sentimentos d’um coração?
Todos nós somos iguais, os dias são iguais.
Há dentro de ti uma vida, um coração igual.
A paixão? Ah, não importa a cor!
Todos os sentimentos são de amor!

Não te invoques o além...
Eu não quero imaginar mais nada.
Eu não quero mais sorrir do nada.
Eu só quero entender a vida,
porque haverá de ser cumprida
dentre os meus dias também...

Não me conte os teus segredos
porque eu não quero mais saber.
Conta-me apenas de seus medos
porque eu já temo você...
Não mais queiras de mim o esplendor
sendo que eu já sou todo o seu fulgor
em seus dias de solidão!

Oh, trovador, o que hás de ser do meu alguém?
Dos meus sonhos? Da minha esperança?
Queiras em razão me compreender
Sob a sua infinita aliança...
Por que haverá de nos céus o seu viver
ser os cumprimentos dos murmúrios teus?

“Porque na vida todos têm
dentre os cantos que convém
o Amor, sobre os infinitos olhos de Deus!”

(Poeta Dolandmay)
DO POEMA

“O poema para ser um, bom poema, é assim:
Quando não se define, mas se traduz!”

(Poeta Dolandmay)

sábado, 20 de novembro de 2010


CLAMOR

Peço-te perdão do que sou.
Peço-te perdão do que me acham.
Nunca fui de mal algum.
Nunca fui o que me quiseram.
O que vivo é amor.
O que eu não tenho é a vida.
O que escrevo é o meu temor,
a minha pobre solidão.
Eu sei que tenho muitos amores,
mas me falta muito ainda.
Em seu jardim há muitas flores,
mas no meu há um vazio
que eu tanto busco completar.
Não me tente compreender
porque nesse mundo eu não estou,
apenas ando a vaguear
por completar o que eu não fui...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 16 de novembro de 2010


ESPERANÇA

“Nunca deixe de sonhar...
Porque o sonhar, é viver!
Nunca deixe de amar...
Porque o amor, é a essência da vida!”

(Poeta Dolandmay)

domingo, 14 de novembro de 2010


ARBÍTRIO

Não mais assim o serei como sou pranto,
Ufo anjo celeste, que me amargura
Na noite escura e cabal que anseia tanto
As densas e miseráveis vozes que te jura.

Não mais serei como o linho de seu manto.
E nas insígnias aflições que me insegura,
Como o indescritível mendigo de acalanto
No altaneiro vento de sua voz obscura.

Como um tapeador a rogar benção branda
No peito que traz o tormento e canta
Na infeliz espera de me roubar o amor,

Serei um estranho, assim, como me é luz
Na revelação do opúsculo real que conduz
Desde o princípio de o seu esplendor.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


VOZ...

Não mais serei eu,
Totalmente eu.
Cada dia é um dia
E, eu, dias reversos.
Tudo me é antes
Hoje, tudo é depois.
E tudo é distante
Na alma de nós dois.
No astro de fogo,
Tudo é além de mim.
O que sou vagueia
No universo mudo
Das palavras frias
Que me quer falar:

Alarga meus versos,
Pois que sou reverso
Se eu não sou amar!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


PÁTHOS

A luz do sol me queima a pele,
a lua não mais clareia as minhas noites,
não mais vejo a alvorada
sobre o imenso azul das águas santas.

As canções que soam aos meus ouvidos
são das noites mortas,
e as estrelas já me são extintas
sob a idolatria infinita que não me renova.

Que não me pudera
ao meio da imensidão gelada
onde há da minha alma o descanso,
ao despertar da esperança,
o amor, em suas falsas e pobres ambições,
no silêncio que me guarda, prosperar.

(Poeta Dolandmay)

domingo, 24 de outubro de 2010


DA IDOLATRIA MORTA

Sinto uma estreiteza aguda no peito...
Todo o sangue do corpo faz-me doer,
Sob a luz duma aura ansiosa, em dizer:
Rompeu-se a sombra o amor perfeito!

Porque tem que ser assim satisfeito:
Numa exaltação ondeante de prazer...
Esmagando-te a alma, ocultar-te ver,
Esta fúria vibrante d’um cálice desfeito.

Parecem-me poderes enviados do céu
Pelo anjo que rodeia a minha volta,
A mando de um ser cândido com véu.

E nesta noite fria dos braços me solta,
Faz-me cheio de glória tirar o mantéu:
É preciso que a vida lhe vá sem revolta...

(Poeta Dolandmay)