quarta-feira, 24 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010

CLAMOR
Peço-te perdão do que sou.
Peço-te perdão do que me acham.
Nunca fui de mal algum.
Nunca fui o que me quiseram.
O que vivo é amor.
O que eu não tenho é a vida.
O que escrevo é o meu temor,
a minha pobre solidão.
Eu sei que tenho muitos amores,
mas me falta muito ainda.
Em seu jardim há muitas flores,
mas no meu há um vazio
que eu tanto busco completar.
Não me tente compreender
porque nesse mundo eu não estou,
apenas ando a vaguear
por completar o que eu não fui...
(Poeta Dolandmay)
domingo, 14 de novembro de 2010

ARBÍTRIO
Não mais assim o serei como sou pranto,
Ufo anjo celeste, que me amargura
Na noite escura e cabal que anseia tanto
As densas e miseráveis vozes que te jura.
Não mais serei como o linho de seu manto.
E nas insígnias aflições que me insegura,
Como o indescritível mendigo de acalanto
No altaneiro vento de sua voz obscura.
Como um tapeador a rogar benção branda
No peito que traz o tormento e canta
Na infeliz espera de me roubar o amor,
Serei um estranho, assim, como me é luz
Na revelação do opúsculo real que conduz
Desde o princípio de o seu esplendor.
(Poeta Dolandmay)
quinta-feira, 11 de novembro de 2010

VOZ...
Não mais serei eu,
Totalmente eu.
Cada dia é um dia
E, eu, dias reversos.
Tudo me é antes
Hoje, tudo é depois.
E tudo é distante
Na alma de nós dois.
No astro de fogo,
Tudo é além de mim.
O que sou vagueia
No universo mudo
Das palavras frias
Que me quer falar:
Alarga meus versos,
Pois que sou reverso
Se eu não sou amar!
(Poeta Dolandmay)
quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PÁTHOS
A luz do sol me queima a pele,
a lua não mais clareia as minhas noites,
não mais vejo a alvorada
sobre o imenso azul das águas santas.
As canções que soam aos meus ouvidos
são das noites mortas,
e as estrelas já me são extintas
sob a idolatria infinita que não me renova.
Que não me pudera
ao meio da imensidão gelada
onde há da minha alma o descanso,
ao despertar da esperança,
o amor, em suas falsas e pobres ambições,
no silêncio que me guarda, prosperar.
(Poeta Dolandmay)
domingo, 24 de outubro de 2010

DA IDOLATRIA MORTA
Sinto uma estreiteza aguda no peito...
Todo o sangue do corpo faz-me doer,
Sob a luz duma aura ansiosa, em dizer:
Rompeu-se a sombra o amor perfeito!
Porque tem que ser assim satisfeito:
Numa exaltação ondeante de prazer...
Esmagando-te a alma, ocultar-te ver,
Esta fúria vibrante d’um cálice desfeito.
Parecem-me poderes enviados do céu
Pelo anjo que rodeia a minha volta,
A mando de um ser cândido com véu.
E nesta noite fria dos braços me solta,
Faz-me cheio de glória tirar o mantéu:
É preciso que a vida lhe vá sem revolta...
(Poeta Dolandmay)
Sinto uma estreiteza aguda no peito...
Todo o sangue do corpo faz-me doer,
Sob a luz duma aura ansiosa, em dizer:
Rompeu-se a sombra o amor perfeito!
Porque tem que ser assim satisfeito:
Numa exaltação ondeante de prazer...
Esmagando-te a alma, ocultar-te ver,
Esta fúria vibrante d’um cálice desfeito.
Parecem-me poderes enviados do céu
Pelo anjo que rodeia a minha volta,
A mando de um ser cândido com véu.
E nesta noite fria dos braços me solta,
Faz-me cheio de glória tirar o mantéu:
É preciso que a vida lhe vá sem revolta...
(Poeta Dolandmay)
sexta-feira, 22 de outubro de 2010

RAZÃO
Ledor, o que escrevo é você.
Se não sou eu mesmo,
Eu não sou ninguém.
Não me queiras entender
Se não te entendes.
Também sinto no mundo
Tudo o que sentes...
Do mesmo modo as dores
Dos desamores, que todos têm.
Porque são fados,
E são rochas a quebrar.
Nada é ainda próprio
Como dos céus são as estrelas.
Tudo está a amar
Na luz branca que são delas,
O azul te enganas ver
A própria alma que carregas.
Nada tens a compreender
O que seja uma dor.
No profundo dos teus olhos
A tristeza me é luz,
E a solidão, me é amor.
O teu caminho é meu intento,
Os meus versos do além.
O que escrevo é você,
Mas o que lês, sou eu também.
(Poeta Dolandmay)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DOM MAIOR
Elevo o amor, e nada me desatina,
E o mau não me faz compor
Dentre as essências de esplendor
A canção, que de sua voz destina.
No alto, o mais sagrado faz escutar
O canto que em mim atribui,
E o meu espírito faz se elevar
Dentre os anjos do céu, e se intui.
Ergo-me das profundezas em vão,
Pois que nelas, eu nunca estive...
Ruínas que cabem sobre as mãos –
Dom de poder que com todos vive.
Elevo o amor, e tudo, e ao meu redor
Torna-se intenso e faz verdadeiro...
Pois que já sou de o ser maior,
Uma vez que já o suplico: altaneiro!
(Poeta Dolandmay)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010

TROVADOR
Solte-se, Poeta!
Crie o seu grito sem medo,
Aprofunda-se nas suas palavras,
Pois a sua alma é imensa!
Olhe pra mim, quem sou eu?
Um ser sujo, com roupas rasgadas
E com um cheiro químico,
No entanto, solto o meu grito;
Porque em mim tenho a dignidade da alma!
O que os outros pensam?
Não me importa!
(São hipócritas comedores de almas)
Na minha, há o veneno dos deuses
Que o meu cerne confia!
(Poeta Dolandmay)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010

NAS FORMAS DOS SENTIDOS
Será que alguém viu
A minha vida detrás, nos céus
Quando ainda era por véus
A minha cabeça coberta,
Quando ainda não estava certa
A minha vinda ao mundo?
Quem poderá me dizer
O que os deuses me guardam,
E também os porquês me afagam
Em meio o meu peito triste,
E ainda o porquê persiste
No meu coração o amor profundo?
Quem sabe eu já saiba,
Mas, não me caiba entender
Antes que termine o caminho
Que eu tenho a percorrer,
Para que, na vida, eu entenda
Que só tenho que amar, e viver...
(Poeta Dolandmay)
segunda-feira, 13 de setembro de 2010

D’UM AMOR DE ERAS
Mulher, o nosso tempo acabou.
E em meu coração apenas ficou
Toda a solidão, todo o vazio;
Porque por todas as coisas
Há apenas uma por qual teremos que pagar,
— O próprio sentimento.
Que isso me seja recompensado na alma,
E que essa dor me seja justa,
E quando entenderes o meu amor
Que volte, pois ele, jamais a deixará!
Ele só te fez bem, e não mal,
E lhe fará bem por todos os seus dias.
E ninguém mais o achará;
Porque o seu valor é mais do que o ouro
E destinado foi ao seu fulgor;
Porque tu és de mim todo o esplendor,
Toda a luz, por todo o tempo que se faz,
Sobre o mar, e sobre a terra.
E quando eu a tiver no infinito
As lágrimas em seus olhos não haverá;
Porque o meu amor te será mais!
(Poeta Dolandmay)
quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MAIS QUE TUDO É AMOR
O que és de mim tão cedo pranto
Por vez em grande amor me ergue
A fazer da solidão um acalanto
Na estranha razão que me persegue...
Razão alheia que me é um tanto
No amado coração que me prossegue
Mais que tudo um estranho canto
Que o da paixão que o faz entregue.
Solidão oculta, oh, amor estranho,
Que por vez não sabe o seu tamanho,
Que não sabe o quanto vos me fere.
Um instante ausente e amargurado
Que nas noites mortas é meu pecado,
Na imensurável razão que o profere.
(Poeta Dolandmay)
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