sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011


DEPOIS DA NOITE

Os dias são tão curtos
E de uma maneira tão cega,
Que plenos os absurdos
Na alma nos carrega.
Tudo é intocável...
E vil nostálgica é a luz
Dentre as crenças que conduz
O Amor, indecifrável...
Razão que nos impera
E nos prega a cruz santa
Do passado, que distante,
A paixão uma consoante
As vozes tudo canta.
E quando a noite chega à lua,
Aos céus se perpetua
Um novo dia a nascer...

Que a esperança desse dia
Não se impere a agonia
Que novamente irei viver...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Das glórias de Deus

“Por que hás de querer ouvir palavras em sua carne
se ao seu espírito elas lhe são tão intensas?
ELE fala por ti, e sempre que o desafiamos
ELE nos responde...
Então, por que sempre o duvidamos?
Por que o queremos a carne se ELE já nos é a VIDA?”

(Poeta Dolandmay)

sábado, 29 de janeiro de 2011


ANJO DE LUZ

Conheci um rapaz
Às voltas do mundo
Que tinha um sentir
Lindo e profundo.
Ele saltava
Em meio às estrelas,
Passava por volta
De muitos planetas.
Mas um ele amava,
O bem mais azul...
Aquele dos céus,
Que vejo ao sul.
Com teu pensamento
Em longa fusela,
Corria ao vento
À luz amarela.
Nas costas as asas
Lhe eram bem longas,
Brancas quais neves
Que caem ao norte,
Rapaz de sorte,
Que o amor nos traz...

Um anjo rapaz,
Um menino talvez
Latino ou inglês,
Com todas as línguas
Fala português.
Amava a todos,
Com todos falava,
Em vozes benditas
Que Deus ensinava.
Mas há longo tempo
Não vejo o rapaz...
Ficou tão ausente,
O anjo entre a gente,
Que falta me faz...
Poeta da vida,
Que é luz fundida,
A nós uma escrita,
Somente deixou:

Que todos vos amam,
Pois vos amo demais...
Pra no voltar de um dia
Completar o amor!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


LUZ FUNDIDA

“Deus é a tua Luz! Ele te fez o bem...
Hás de criar agora o seu jardim,
e lhe plantar as sementes
para que as flores se espalhem.”

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


VÍTIMA DE MOFA

Da embriagues, duma paixão crucificada...
Um avejão que me ronda amortalhado,
Um vil, um tolo, que jamais será amado,
Um espírito sem luz, uma vida sem nada!

Espectro doente, dum amor crucificado...
Folha seca, deitado ao chão, vida cruzada
A arrastar por entre a seda amortalhada
Os negrumes d’um coração despedaçado...

Vem num brado de saudade e de desejo
Murmurando a sua voz enternecida
Ao recordar em tua face o idôneo beijo...

Fala d’um amor que há tempo foi perdido...
E em sua voz embriagada e despercebida,
Que há séculos fora, por nome, esquecido!

(Poeta Dolandmay)

FOLHA SECA

Talvez sim, talvez não...
Quem sabe então, talvez,
Um dia eu te cubra
Com as vestes do amor...

Um amor complexo!
Aquele que digo
Ser o fulgor das estrelas.

Quem sabe então, talvez,
Nas luzes que são delas
O reflexo contigo
Pode ser de mim sensatez...

Pode ser a sua verdade,
Por um minuto de saudade
Ou, talvez, de dor.

Quem sabe então, volte
Entre a paixão que te cobre
A lúcida verdade
Do que te seja o amor...

Talvez!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


À POETA DA ROSA BRANCA

“Quando disseste que me beijavas, mulher,
aos sóis que não te vias, nas noites
em que, em ti eram infinitas;
bendita era a solidão que te acompanhava.
Pois nela, raros beijos eu te dava, inflamados
de amor, e de paixão...
O teu corpo, tão quente era em mim...
E os teus versos, tão claros eram aos meus ouvidos.
A tua boca eu sentia, no beijo que não davas.
E nada do meu amor te era engano.
Tanto que eu a amava, e tanto ainda eu a amo!
E a rosa branca que carregas, contém a fragrância
dos amores reais de meu espírito,
que, agora, aos inversos, em suas mãos estão
há séculos, oh bela, onde fomos condenados...
E a eles, dignos teremos que ser.
“ELES” que nos rondam, e nos guiam aos céus.”

(Poeta Dolandmay)

“In mistérios”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


CÂNTICOS D'UM VATE

Nos mistérios que me rondam,
Dentre os amores de meu peito,
Que seja intenso e perfeito
O amor que me faz ora chorar...

Ora chorar, pelos que sonham,
Pelos que buscam em esperança,
Por se fundir as alianças
Das luzes do sol, e do luar...

Que a luz branca dos meus dias
Nunca conheça as agonias,
Por um leve sonho se perder...

Mesmo que nestes meus mistérios
Cometa-me os anjos adultérios
Para que a todos possam recolher!

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


SEDE

Por quê;
Talvez eu não saiba, talvez, eu não sinta,
O amor, que, dos céus se vem e fica.
Dourado como o fogo,
Como os dias que se implicam...
A vida, interminável, porém, de fases.
Uma vida contínua e única.
Não tão simplesmente azul, mas, contudo,
Unicamente minha.
Talvez as amortalhadas sedas que me cobrem,
E também a túnica que me inverte o olhar
Da luz, tão diferente à noite,
Talvez os ventos que sopram ao sul;
Em meus ouvidos sob a terra, tão frios,
Ainda me sejam mortos.
Mas, ainda se falam os anjos, aos alfobres,
De bálsamos, o meu nome intensamente.
Ou, talvez, sejam os lírios
Sobre o meu corpo em taboa,
Em meio a minha voz, “em sede de amor;”
O meu próprio cântico de esperança.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


Um ser – verdade

Trovador, não escrevas um poema
apenas por escrever-lhe...
O poema tem que sentir o Poeta.
O Poeta tem que ser o poema.
Não o enfeite, não o empilhe como galhos
para uma fogueira futura... o respeite!
Não lhe invente palavras ao vento;
porque não são tuas.
Os espíritos não se calam...
Há em cada poema a sua alma própria.
Há em cada “Poeta” o seu próprio Poeta.
Não há sofrimentos iguais.
Não há amores a mais.
Sentimentos não são dispersos...
Escrevas, trovador, somente de ti o que és,
pois, um Poeta, adormece
quando a sua alma vagueia...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


DESÍGNIO

Hão de brilhar as estrelas
ao espaço dos céus obscuros
e orgulhosos, e frios.

O astro bendito há de se por
entre a vida, entre o amor.
Amor complexo,
de esperança, e de justiça.

E esta voz trêmula que vaga
aos meus ouvidos cálidos,
há de me esquentar a alma
e os pés, e as mortalhas mãos.

Há de se erguer a lua
aos meus sentimentos de dor,
de aflição, e de medo.

E há de o tempo renascer
mais terno, mais doce, e quente.
O meu tempo, de promessas,
e de sonhos que não morrem.

(Poeta Dolandmay)
Divino esplendor

“Não deixas que almas obscuras
de reinos que não te pertence te ofusquem a Luz.”

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


À MULHER DOS OLHOS CAÍDOS

Quando os teus olhos eu vi cair ao tempo,
Embocados aos raios de sua tristeza;
Solidão oculta, do coração, que pulsa lento...
Cantei-lhe, o cântico infindo da destreza!

Quando eu te vi as sombras, amargurada,
Braços estendidos e os pés cruzados,
Estendi-lhe a rosa branca amortalhada,
Que a tanto desejaste, em seus brocados...

Vaga, oh, mulher, com o teu vestido azul,
Mistura-se em meio às estrelas do sul,
Porque o oiro do norte não te pertence mais!

Agora, é branda a tua amargura, e morta;
São suas lágrimas de amor que me conforta
Dentre a minha alma a escrever-te a paz!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Por o espírito infinito das nações

Os anjos guardam o monte de Sião
sobre os olhos infinitos de Davi,
e poeira, e pedra, e fogo se levantam,
o mar reflete os deuses de espadas,
e suas ondas são altas, e doces, e claras,
e os que as verem se gloriarão à terra;
que estão próximos os dias do Rei,
e o infinito amor do Senhor;
o Deus de todos os deuses, e de nações.

Preparai o teu corpo, e o teu espírito,
e os cálices de teu corpo que são puros,
e o coração da tua bondade à luz;
porque assim é o Rei, e assim o verás.

(Poeta Dolandmay)


“In Natal de esperança”

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


AO ANJO CELESTE

Anjo branco, dos céus em bandeiras,
De o teu fulgor que o faz iluminar
Clareia os montes ao brasão de luar
Como as invídias vozes de faceiras...

Damas das rosas! As que mais queiras,
Coração em pedra que o deixa amar
O cadáver orgulhoso, que as faz cegar
Aos teus murmúrios às vidas inteiras...

Cegas! Mas, às mãos, são como viver
Em meio as suas crepitantes fuselas
Que rogam e cantam... sem vos deter!

Místico ufo, do crepitar das estrelas,
Em séculos benditos do amanhecer,
Escuta-me! Lá adiante, às vozes delas...

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


PRECE À SOLIDÃO

Solidão, que nos cega os sentidos,
Vem como uma lua negra e morta
Aos ventos murmurando à porta
Dos ouvidos plácidos deprimidos.

E, nos sussurros tenros atrevidos,
Que os são das trevas que nos corta
Guarda os dias brancos e suporta
Os lamentos aos tempos perdidos.

Solidão, que há séculos é virtude,
Que ao coração nos prega e acalma
A vida em ambição à juventude...

Vêm aos ventos e retorna à palma
Para que a noite não padeça e mude
Nas fortalezas do sentir... da alma.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


UM ALGUÉM E UM POETA

Ora, Poeta, por que hás de escrever
os sentimentos d’um coração?
Todos nós somos iguais, os dias são iguais.
Há dentro de ti uma vida, um coração igual.
A paixão? Ah, não importa a cor!
Todos os sentimentos são de amor!

Não te invoques o além...
Eu não quero imaginar mais nada.
Eu não quero mais sorrir do nada.
Eu só quero entender a vida,
porque haverá de ser cumprida
dentre os meus dias também...

Não me conte os teus segredos
porque eu não quero mais saber.
Conta-me apenas de seus medos
porque eu já temo você...
Não mais queiras de mim o esplendor
sendo que eu já sou todo o seu fulgor
em seus dias de solidão!

Oh, trovador, o que hás de ser do meu alguém?
Dos meus sonhos? Da minha esperança?
Queiras em razão me compreender
Sob a sua infinita aliança...
Por que haverá de nos céus o seu viver
ser os cumprimentos dos murmúrios teus?

“Porque na vida todos têm
dentre os cantos que convém
o Amor, sobre os infinitos olhos de Deus!”

(Poeta Dolandmay)
DO POEMA

“O poema para ser um, bom poema, é assim:
Quando não se define, mas se traduz!”

(Poeta Dolandmay)

sábado, 20 de novembro de 2010


CLAMOR

Peço-te perdão do que sou.
Peço-te perdão do que me acham.
Nunca fui de mal algum.
Nunca fui o que me quiseram.
O que vivo é amor.
O que eu não tenho é a vida.
O que escrevo é o meu temor,
a minha pobre solidão.
Eu sei que tenho muitos amores,
mas me falta muito ainda.
Em seu jardim há muitas flores,
mas no meu há um vazio
que eu tanto busco completar.
Não me tente compreender
porque nesse mundo eu não estou,
apenas ando a vaguear
por completar o que eu não fui...

(Poeta Dolandmay)