domingo, 13 de dezembro de 2009


No além de mim

Dou-te a concessão
a entrar nos meus sentidos,
a vincular o destino
que te prendes à minha razão.

Deixo-te entrar nos meus dias
E nas minhas noites de solidão,
a tentar descobrir
as fúnebres e tensas cobiças
que me altera o existir.

Libero-te a revelar a idolatria
que me abrasa a alma,
que se estende no louco sentir
do meu imenso coração.

E quando estiveres no alívio
da minha voz embriagada
cubra-me com o manto branco
do querer que te dominas,
que ambiciona e te envolves
sob a minha louca paixão!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 8 de novembro de 2009

Dias de sombra!

Oh dias nostálgicos
por palavras quietas
que no meu peito
sinto em desespero!...

Eu sou dos teus dias
e os teus dias são os meus!...
Eu sou a rocha que ninguém vê,
o azul tão triste
a folhar-te a mente!...

Trazes a mim o teu amor
porque fazeis o anjo da vida
o teu espelho!

Não razoai mais os meus dias
porque já sou da tua estrada
o teu eterno caminho!...

(Poeta- Dolandmay)

terça-feira, 27 de outubro de 2009


Um Louco Sonhador!

Saudades que me invade, em ilusão...
De um amor que não aconteceu, ó dor!
Que bem, ó sonho, não fosse de amor,
Talvez não quiseres o meu coração!...

Já bem que tu foste ao teu esplendor...
Por que não voltas?... Deixaste solidão
Neste louco Poeta que já sofres o rigor
Desta vida tão fria de sagas em vão!...

Sim... Sou louco! Não sabes? Vou dizer:
Entendas como podes, um amanhecer
Dum sofredor que a noite sofre também!

Sou alma, sou vida, que tanto sonha!...
Talvez se eu tivesse alguma artimanha
Faria por mim louco o amor dum alguém!

(Poeta- Dolandmay)

O meu querer!

A minh'alma anseia-te! Ó chama viva!
Fogo luzente da vida, de todo o ser!...
Que te roga soberana, bela e altiva
Por arder no teu tíbio, cantar e viver...

Minh'alma de tão louca te sonha, cativa
Flamejante e perfeita no teu querer...
E, na mais vaga noite, ver-te sensitiva
A queimar-me na pele o teu bel-prazer!

Ó ânsia, que no meu peito tanto chora!...
Embriagado por ti, que fosse outrora
Já que presente por hora quer-te sentir!

Que ardente tu venhas a me encontrar...
No teu rigor extremo, às ondas do mar!
Que me faça pela lua inteira, o teu luzir!

(Poeta- Dolandmay)
Luz da Noite!

Uma voz!
Um desejo!
Uma paixão!

Um olhar!...
Um sorriso!
Um coração!

Um desespero!
Um sonhar!
Um amor!

À luz do dia!...
No peito é dor!

Uma manhã!
Um entardecer!
Uma noite!

Volta o ser!...
O esplendor!

(Poeta- Dolandmay)
No seu impossível

Na noite escura do teu penar
Sou vento, que te roga santa,
A brisa que acaricia, e manta
Que te envolve o rosto, o ar!

Sou o ser que vaga, a portar
Na candura que em ti canta...
Sou a melodia fina, e infanta
Que na tua alma quer entrar!...

Quero o teu corpo envolver...
No teu arrepiar frio te sentir,
Nas tuas entranhas, se perder!

Trago-te a chama do existir...
Os desejos, o amor, e o viver
Que tanto esperaste, por vir!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 18 de outubro de 2009


Esfinge

Ora, se há apenas um conceito do amor,
fazeis entender o que roubaste, o coração!?...

(Poeta- Dolandmay)

Tortura fria

Vivo assim, um tanto, desesperado.
Busco a sombra do sol na noite fria...
Por queimar-me a pele a luz do dia
Onde me pus o coração, desprezado!

Vivo assim, sob o mantéu enfeitado.
A devorar a minha vultosa nostalgia!...
Vê-me a lua: sou a estrela fugidia
Que o deste o clarão tetro sufocado!

Sim, eu sou o Poeta que te enfeitas,
Que não quer no mundo a tua dor.
Sou quem tu vês, no leito que deitas!

Sim, que seja em mim o teu langor...
Por devorar-te a noite que rejeitas,
Por queimar-me a pele, o teu amor!

(Poeta- Dolandmay)

Lua em Glória

Eu sou na vida, ó lua, o teu mal desfeito!
Busquei entender em ti o que não me tinha.
Eu sei que esta tua vida jamais foi minha,
A sofrer na tua luz a dor que sinto no peito!

Tu és do clarão todo o esplendor perfeito!
És da noite a vida, das trevas é a rainha...
Voa as aves no teu tíbio, voa a andorinha,
A levar-me nas tuas asas o meu deleito!...

Eu sou quem te encanta no frio da noite!
As lágrimas que correm ao teu afoite...
Sou no teu beijar da alvorada os olhos teus!

Daria a minha vida a ti, por uma luz no dia,
Mas glória! Eu sou sobre ti toda a poesia!...
Do langor as vidas, a mim, só não és Deus!

(Poeta- Dolandmay)

Chama Viva!

Tem do meu amor uma graça tão pura...
Que te beija na noite, que te beija no dia!
Quais vidas levam a ti certa fantasia...
Para amar-te, desejar-te, serena criatura?...

Vives do meu amor puro de tanta magia,
Que é o encanto a oferecer-te candura...
Qual sentimento busca a levar-te a orgia
Para findar-te em ti o amor que me dura?...

Digas, ó Palas, minha rainha da verdade,
Juras a mim, que sou eu, a tua vontade
Por levar-te no mundo o Don de amar!...

Olhas em fim, para a alma que a ti ama,
Dizer-te num momento: viva a chama
Que me deste na vida o amor p'ra cantar!...

(Poeta- Dolandmay)
Canção Perdida

Quem sabe, talvez, o mundo não me quer.
Serei eu resto dum naufrágio incompleto?...
Talvez seja resto de uma madeira qualquer
Sem ter a marca ou penhor, de um dialeto...

Ou quem sabe, talvez, sou chaga sem poder,
Sou ferida que ninguém vê, por completo...
Uma estranha voz, uma canção dum querer,
Talvez seja eu, um enigma, um ser indireto!

Eu sei que a minha sorte não é neste mundo...
Talvez, pela explosão, dum céu moribundo
Sou quem anseia estrelas no reflexo do mar!

Eu sei, que nesta esfera, sou um ser perdido
Que busca encontrar neste mundo ferido...
Uma melodia, talvez, que seja p’ra cantar!

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 13 de setembro de 2009


Tempo de escuridão

Deste dia, que me deste tanto amor
Guardo a lembrança tanta alegria...
Daquele tempo que me fizeste calor
Conservo da louca paixão a fantasia.

Deste dia que aqui se faz frio, a dor
Tenho no peito, petrificada a magia...
Quem sabe um dia volta o esplendor;
Quem sabe volta, a mim, a poesia!...

Momentos da noite que toca o sino...
Na capela do alto um amor franzino,
Encobre-me, um mantéu esquecido.

Instantes de trevas que me devora...
Fazendo-me cruel ao findar da aurora,
Uma alma, de um amor adormecido.

(Poeta- Dolandmay)

Páginas da Vida

Será que um dia serei eu saudade?...
Será que um dia... Oh minha vida,
Serei eu honrado em despedida...
Por um momento em vão verdade?

Sem que seja eu uma adversidade
Do oposto ideal em luz fundida?...
Sem que o meu amor não se despida
Duma existência difusa em maldade?

Que se lembrem por tudo que tenho...
Não apenas da foto ou um desenho,
Mas da minh’alma e do meu coração!

Que se lembrem no peito o meu amor,
Das páginas da vida o esplendor...
Que eu não seja apenas uma ilusão!

(Poeta- Dolandmay)

Poética inspiração - Primavera
(O Alento)

Das noites frias e de ventos fortes
Vem surgindo à vida, deixa as mortes
O bálsamo do tempo cheirando flor.

Folhagens secas caídas ao chão...
A dor do ser por um tempo é ilusão
Os Poetas espremem, no peito, a dor.

Cantam a vida que vem surgindo...
Ao clarear do sol – o amor vem vindo
Quase em brasa, lenitivo de sorte.

São chamas, são deuses erguidos
Que das tuas noites são, zumbis caídos
E das primaveras, são norte.

(Poeta- Dolandmay)

Instante de treva

Não sei quem sou!... Não sei!
Tudo me evade da cabeça...
Tudo é breu; em nada sonhei...
Por um instante a luz me deixa!

Nada ouço, em mim falhei!...
Entre pálidas ruínas de queixa,
Nos momentos, que julguei!...
Astro Criador! Não me esqueça!

Que seja breve as tuas trevas,
Que a noite vil, daqui tu levas...
Que volte a vida meu esplendor!

Que meu triunfo volte à chama!
Que o sonho, em luz derrama...
Que não esqueças o meu Amor!

(Poeta- Dolandmay)

terça-feira, 8 de setembro de 2009


O Amor

Tu me enfeitas a vida; o amor
Que dela cuida apaixonado.
Tem enganos, solidão e dor
Tem tanto peito machucado.
Mas a todos os princípios
Teus sentimentos são puros,
Até mesmo os obscuros
Que sentem nos silêncios
Das noites sombrias da alma.
E tristes são seus prantos
Sem a melodia dos cantos
Dos anjos do céu sem calma.
(Luzir tranquilo, não engane!)
Inquieto, parece-me falar:
Ame tanto, por tanto ame;
Que sempre estou a Amar!

(Poeta- Dolandmay)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Audaz Resumo

De tudo que me deste nesta vida...
Tanta ternura, encantos e fantasia,
Um tanto de paz e sabedoria...
Cintila, em mim, a luz fundida!

De tudo que me deste com magia...
Tanta paixão, crápula incandescida,
Um tanto de desejo, não só orgia...
Parece-me o sol, a chama erguida!

De tudo que me deste, o precioso...
Resume na minha vida o que tenho!
O afeto idolatrado, o mais formoso...

Sim, o amor! Que do peito cuida!
Que é do coração o audaz empenho,
E das substancias, o que têm vida!...

(Poeta- Dolandmay)

sábado, 29 de agosto de 2009


Por um motivo de Amor

Será por mim que tu choras meu amor?
Será por mim, que vive em ti esta dor?
Fazeis de mim o teu amado, a tua vida...
Que não seja eu o motivo dos teus prantos,
Mas que seja eu da sua cabeça incandescida
A paixão, e a melodia dos teus cantos.
Que seja eu o teu motivo de viver...
O teu desejo, o teu sentir e o teu querer!
Que seja eu da sua estrada o caminho...
Mas que não seja eu na caminhada o teu vinho
Que te embriaga, por esquecer um sofrimento.
E que não seja eu do seu vultoso coração,
Os pulsares que te levam ao tormento.
Mas que seja eu, da sua vida à afeição,
Até mesmo nos seus momentos de tristeza...
Que não seja eu, amor, o teu grão desfeito,
Mas que seja eu do teu sentir o que enriqueça
A alegria que sentires no teu peito.

(Poeta- Dolandmay)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Nos caminhos de Bela

Serei eu quem tu procuras?
Serei eu, em quem tu pensas?
Como eu queria que me dissesse sim,
Que tem a cachola louca por mim
Aqui em labaredas feito vulcão.
Que corressem às suas veias as lavas,
Que tocasse este teu coração
Como a melodia quando passas,
A minha frente quando danças
Chacoalhando estas lindas tranças
Dos teus cabelos chocolate.
Ah como eu queria que me visse
Quando aqui tu passares...

(Poeta- Dolandmay)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Noite Morta!

Nesta noite angustiante que aqui estou
Lembro-me todas as coisas ditas por ela
Naquela voz fina, naquela voz bela...
Todos aqueles instantes em mim ficou.

Amo-te tanto porque tanto me amou!...
Naquela noite fria de uma luz tão singela,
Que era o clarão da lua ao entrar a janela
Iluminando aquele instante, que parou...

Ao tempo, minha bela, de voz alta...
Todos aqueles momentos, que me falta
Quero gritar ao mundo o que era meu!

Mas como estrangular contentamento...
Se não tenho o seu amor, neste momento
O sonho daquela noite em mim morreu!

(Poeta- Dolandmay)