sexta-feira, 30 de novembro de 2012



Depós o inverno

Aos sóis, num tempo de desventura,
Pregado ao amor e a tristeza,
O lírio ao vento espalha a beleza,
Formando-se paixão sem amargura...

Eleva-se, e cantiga, a lua-ventura
Das noites pratas, e, quanto mais acesa
Clareia aos campos em realeza
Juntando-se as flores sua candura...

E pecados não se ouvem de perverso;
Os bálsamos dispersam o reverso,
O jardim é um só complexo de fulgor...

As estrelas se completam as amadas,
E na fragrância azul das alvoradas
Renasce dentre as cinzas uma nova flor!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012



Resplandecência

Se nada for de tristeza ou de pecado,
Ilusão e medo são de florir breve...
Que nada em constância se escreve
Na penumbra de um dia ter passado!

E é luz sobre o calvário do terrado.
O tempo cinza é um cair de neve...
Que de existência nada é vil e leve
No primor do imenso sol dourado!

Que são de provar tudo que engana!
Que de sonhos, a paixão profana
No descalvar dos jardins em flor...

E os dias se idolatram em quimeras!
Dos sepulcros, erguem-se primaveras
No perfumar da vida em esplendor...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012



O Espírito e o Poeta

Quem de mim é mais notável, oh, Espírito cruel,
Mais do que o seu fulgor, mais do que seus versos?
— Que me abrasa! Ao seu fogo-árduo, e, em fel,
Mais do que o amargo dos seus dentes perversos...

Os cânticos se cumprem, e são tufões dispersos;
Sem ouvidos, sem olhos de sol, são baixos cordel...
E, dos seus clarões, que são das noites reversos,
São de mim mais cândidos que o seu formoso céu!

Quem de mim é mais vil qual seu punhal infinito?
Mais do que seu gume, mais do que seu querer,
Arqueja dentre ao meu peito o seu imo profundo!

E a canção que se perde? E o seu rompante grito?
Mais do que seu pudor, mais do que seu poder,
Sou a alma em que brilha sua amargura no mundo!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012



Origem-Santa

Sol altivo e quente. Bondade invulgar,
Imensidão de promessas, vida-além:
O anjo da luz, no primeiro luminar,
Em que habita ao mundo... — O harém!

Esperança e conforto. O amor e o luar:
Idólatras que dispersam o mal, o vivem
Aos jardins de sorriso, o despertar
Dos sepulcros dos sonhos... Amém!

...Que desejos fossem de astro-claridade,
Do mar azul a pureza e a verdade,
Ao sol o dispersar da ilusão e do medo!

Sangue e paixão: amplitude e afeto,
Que ensinaste ao coração o homem-reto;
O fulgor da eternidade... — O segredo!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012



O poema

Talvez um delírio, inculto e quente,
Paixão de intenso clamor, impuro,
Um displicente calor que perduro
No insensato mundo em que sente...

O desconexo, o cauto, o conjuro,
Que se implica a vaguear entre a gente:
Luz que boêmia, ao sol poente,
Dum indescritível sentir obscuro!

Mas que vigora, e que me intensa
De demência grata e de bendito amor!
Que flui, o estreito da minha sentença

Doce, e leve, e altiva que impera,
Em que na existência me faz esplendor
Ao estouvado astro em que vela...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012



Isaías 53:5
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões
e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele,
e pelas suas pisaduras fomos sarados.



Jesus

“Eis que sou o quem nada humilha,
O quem de tristeza sorri, se faz perdão;
De amarguras complexas ao coração;
O quem a Deus os envolve, maravilha.

O quem de luz os faz findar a guilha,
Quem de torturas nada sofre em vão;
Que de pecados, sem cair ao chão,
Os eleva, os aquece, e o caminho os trilha.

Sou aquele que na estrada sã da coragem
Os santifica, numa única e santa imagem,
Quem de sangue os deslumbrou na cruz!

Sou aquele que de esperança os corteja,
Quem da fé ao Espírito-Santo os almeja
Aos meus braços no santo-dia: sou Jesus!”

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012



Outrem

Por tudo que vivi, na elação dos meus dias,
Despi as eras da eloquência, em paixão,
E os meus consequentes ao coração,
Os dissolvi como encantos de fantasias...

Que, num reino condenado por magias,
Sem que pudesse em realidade, em extensão,
Os meus sonhos imprecados sem razão,
Detrás aos pecados se perderam, em euforias...

Que vivo e revivo aos devaneios, que igual,
Um ser d’outras eras, num ponderal
Emanou-se em minha vida falsidade...

Que encantos meus? Que tal encantos
Haverá d’eu viver... d’eu viver aos cantos
Se aos orgulhos conjugados sou inverdade?!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


Foto: Lee-Jeffries


Mendigo

Posso ser o que me quiserem ser;
Amor... Tortura... Astro pungente!
Aos versos, um grito incoerente,
Ou um tolo mendigo ao se merecer...

Belos segredos d’um vil viver,
Hás em meu peito para toda a gente...
Hás amarguras; dor do que sente,
A minh’alma em vos compreender!

Pregado a cruz de minha estrada,
Podem me ver como luz de alvorada,
Ou como ocaso d’um são pecador!

Posso ser sol, trevas, mutável deserto,
Ser porta fechada, ou lírio aberto
Sob as esmolas d’um só pouco amor!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012



Na roda da vida...

“Eis a sombra, e o sol
que desponta sobre as montanhas;
uma escolha.”

(Poeta Dolandmay)

sábado, 25 de agosto de 2012



Conjurados

Onde estão vocês? Oh, anjos santos!
Para quais céus partiram? Separados,
Eis aqui meus acalantos,
E meus punhais, e meus notados...

Que dos sepulcros se cumpriram os fatos...
Que então, se findaram os pecados...
Destes corpos acorrentados, —
Dos quais tantos me olham aos retratos...

Findais! Estes dias esplendorosos...
— Que nada mais sois além de alma e ossos...
Devolveis meus espíritos de amor fugaz!

Eis de vós o filho gentil e de fiel tortura...
O qual de paixões se torce amargura,
Na conduta santa de um Deus de paz!

(Poeta Dolandmay)

sábado, 28 de julho de 2012



Tresloucado

Eu sou a-quém vive o amor cantando,
Um pássaro a voejar por céu-além...
Um desdenhado ao tempo sonhando
Por se encontrar no que não me têm...

Os segredos dum vultoso sol-harém...
Sou um vagante, aos poucos buscando
Os de afeição, e sem ser ninguém,
D’outra existência vou desvairando...

Que lua, que fulgor intenso d’estrelas
Acalentará meus céus, por eu de vê-las
No independente mundo em que sou?!

Solidão oculta! Paixão tanta! Perdido,
— Eu sou dos céus um condor ferido
Por um amor que nunca se encontrou...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 24 de julho de 2012



O firmado

Que vejam as sombras dos mistérios...
O meu corpo firme ao truncado,
À árvore do destino... Magistérios!
— Folhagem que poupara meu pecado...

Que vejam ondas espumadas... — O ateu,
Que se banha de fortuna, que falece,
Quê aos mares, resoluto, de apogeu,
Repousa o firmado indulto duma prece!

Crepúsculos d’ouro, à terra de fulgor...
Que vejam entre as montanhas o porvir
Dum incrédulo nefário de acalanto...

Que vejam novas graças de esplendor,
Duma face celeste e dum sorrir...
— A mesma cruz em que deliro e canto!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 6 de julho de 2012



Meu calvário

Dias me completam, em fulgente deserto!
Brilhante! Quem mais poderia dizer
Se não a voz tua? Oh, alma do meu viver...
Pôs-se o seu manto ao meu corpo incerto.

Que tristeza? Que mágoas? Amor liberto...
Pôs-se ao meu caminho percorrer...
O fulgor da noite, a lua, o mar aberto...
— Que vinde me buscai o desabitado ser!

O qual se impõe, num iluminar, sem luz...
Que vês sob os vitrais da divina cruz,
O seu corpo de sangue numa terra fugaz!

Pois sou aquele que de amor descontente,
Eleva-o a voz, à voz de toda a gente,
No contrário fulgor do meu ermo de paz!

(Poeta Dolandmay)



Exoro

(...)

No contente amor do seu manto de paz,
Vê-te, meu ermo, a paz;
Para que, vejam aos vitrais o teu manto,
O qual no calvário, não vê amor descontente.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 5 de julho de 2012



Sob o deserto escuro

Os ventos murmuram convulsos
Sob o tempo que não há tempo...
E a procura do amor na escuridão,
Os espíritos suplicam suas asas...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

Almas vagueiam sem intento
Sob a terra dos benditos...
E os lobos espreitam seus alentos
Sob o firmamento dos pecados...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

O meu corpo se firma à tempestade,
E olhos acesos me seguem
Dentre os sepulcros dos caminhos...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

A luz é como o ouro no calvário.
O crepúsculo se rende a claridade,
E os ventos emudecem ao amor...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

Porque aos meus pés há fogo árduo
Sob o tempo que não há tempo...
Porque detrás de mim há escuridão,
E à minha frente há esplendor...

(Poeta Dolandmay)


No sepulcro da estrada...

(...)

Asas se multiplicam aos que sonham...
O amor cantiga a sua calma...
Juramentos elevam-se dentro d’alma...
E a esperança se devolve o nome...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 4 de julho de 2012



Antes do próximo dia

Ofusco arrebol que me abraça
para uma nova noite em que feliz
me vago na melancolia do sol,
perca-me, antes do próximo dia.

Que os teus sonhos sejam eternos
dentre a alegria que te encontro,
e que neles, o meu amor perdure
ao renascer, antes do próximo dia.

Que das trevas que te pertence
possa enternecer o teu conforto
na distante luz do meu viver...

E que nela, o meu amor perdure
ao renascer, antes do próximo dia.

E que nela, o meu amor perdure
ao renascer, antes do próximo dia.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 3 de julho de 2012



Ateísmo

Poder - e - honra: imenso mal que suplica,
Enfurecido ao orgulho e a falsidade...
Soberba demência que se cria em maldade,
Aos gritos duma crença convicta...

Donde vens? De quais trunfos? Mar distante...
Águas baldadas em sal perverso...
Que de horas breves, implora o reverso;
Que de sede faz matar o sol dum instante...

“Dar-me o domínio, oh, ser de glórias!
Que de vossa empáfia se rompeu os montes...
Que bendito sois vós de vossas histórias!

Um sopro complexo, de sua imensa altivez...
Dar-me a visão do ouro e das fontes,
Do brasão que enriquece a noite em que vês!”

(Poeta Dolandmay)


Altanaria

“Que orgulho tem o Mau?
Dos males de orgulhos;
Maldades que gritamos ao bem maior!”

(Poeta Dolandmay)