sexta-feira, 6 de julho de 2012



Meu calvário

Dias me completam, em fulgente deserto!
Brilhante! Quem mais poderia dizer
Se não a voz tua? Oh, alma do meu viver...
Pôs-se o seu manto ao meu corpo incerto.

Que tristeza? Que mágoas? Amor liberto...
Pôs-se ao meu caminho percorrer...
O fulgor da noite, a lua, o mar aberto...
— Que vinde me buscai o desabitado ser!

O qual se impõe, num iluminar, sem luz...
Que vês sob os vitrais da divina cruz,
O seu corpo de sangue numa terra fugaz!

Pois sou aquele que de amor descontente,
Eleva-o a voz, à voz de toda a gente,
No contrário fulgor do meu ermo de paz!

(Poeta Dolandmay)



Exoro

(...)

No contente amor do seu manto de paz,
Vê-te, meu ermo, a paz;
Para que, vejam aos vitrais o teu manto,
O qual no calvário, não vê amor descontente.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 5 de julho de 2012



Sob o deserto escuro

Os ventos murmuram convulsos
Sob o tempo que não há tempo...
E a procura do amor na escuridão,
Os espíritos suplicam suas asas...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

Almas vagueiam sem intento
Sob a terra dos benditos...
E os lobos espreitam seus alentos
Sob o firmamento dos pecados...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

O meu corpo se firma à tempestade,
E olhos acesos me seguem
Dentre os sepulcros dos caminhos...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

A luz é como o ouro no calvário.
O crepúsculo se rende a claridade,
E os ventos emudecem ao amor...

E eu ouço os murmúrios...
E eu vejo o céu dos anjos...

Porque aos meus pés há fogo árduo
Sob o tempo que não há tempo...
Porque detrás de mim há escuridão,
E à minha frente há esplendor...

(Poeta Dolandmay)


No sepulcro da estrada...

(...)

Asas se multiplicam aos que sonham...
O amor cantiga a sua calma...
Juramentos elevam-se dentro d’alma...
E a esperança se devolve o nome...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 4 de julho de 2012



Antes do próximo dia

Ofusco arrebol que me abraça
para uma nova noite em que feliz
me vago na melancolia do sol,
perca-me, antes do próximo dia.

Que os teus sonhos sejam eternos
dentre a alegria que te encontro,
e que neles, o meu amor perdure
ao renascer, antes do próximo dia.

Que das trevas que te pertence
possa enternecer o teu conforto
na distante luz do meu viver...

E que nela, o meu amor perdure
ao renascer, antes do próximo dia.

E que nela, o meu amor perdure
ao renascer, antes do próximo dia.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 3 de julho de 2012



Ateísmo

Poder - e - honra: imenso mal que suplica,
Enfurecido ao orgulho e a falsidade...
Soberba demência que se cria em maldade,
Aos gritos duma crença convicta...

Donde vens? De quais trunfos? Mar distante...
Águas baldadas em sal perverso...
Que de horas breves, implora o reverso;
Que de sede faz matar o sol dum instante...

“Dar-me o domínio, oh, ser de glórias!
Que de vossa empáfia se rompeu os montes...
Que bendito sois vós de vossas histórias!

Um sopro complexo, de sua imensa altivez...
Dar-me a visão do ouro e das fontes,
Do brasão que enriquece a noite em que vês!”

(Poeta Dolandmay)


Altanaria

“Que orgulho tem o Mau?
Dos males de orgulhos;
Maldades que gritamos ao bem maior!”

(Poeta Dolandmay)

sábado, 30 de junho de 2012



O Poeta

Quando juntar a mim o perfume morto
Da estrada em que ando na ramaria
Dos arvoredos secos, sem paz, e absorto...
“Que notado mundo, verei o sol do dia!”

Quando o cedro der-se pequeno fruto,
Branco em neve na luz dum luar,
Que fora, ao zumbido a voz dum tributo...
“Mais um réu a juntar-se irá vagar...”

Imensas cores terão as alvoradas...
Os sóis queimarão, sem fogo, sem arder,
Dias e dias, sem negras madrugadas...

E o mar revolto, na calmaria de vencer
Os meus braços, nos ramos das jornadas...
“Que notado morto ledores hão de ver!”

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 27 de junho de 2012



Morto

Assassinos que me ensinaram a lutar,
Vinde! E levais todos os teus medos!
Que desse abutre d’asas negras ao luar,
Não descubrais seus fúteis segredos!

Vinde! Criaturas de extensão pouca!
E os trêmulos, e os de sem amor!
Que os murmúrios de minha boca,
Já os cantam noites como esplendor!

Sepulcros, sopros impuros, vendavais...
Desse, que veem desnudo, elevais!
Eis do que finar-se não mais fazem rir!

Vinde! De esperança elevou-se a cruz!
Que, de cadáveres, bendizeis a luz!
Pois não me há mais chão pra se cair!

(Poeta Dolandmay)


Que seja dos trovados

Que sei! Que de regras rege o mundo...
Talvez por isso eu seja o que sou,
Um funesto que ninguém vê!

“De vida, que é vida, mesmo sem voo; porque é vida!”

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 20 de junho de 2012



Aparência

O que sou distante desse mundo?
Nem um miserável criticado a força!
Que bem aqui, sou um circundo
Por quem me vê, por quem me torça!

Que seja eu, curvado, tristeza toda!
Assim, sou mesmo um profundo,
Que de gargalhadas sou bucha-escoda;
Um lavar de cerne de moribundo!

“Sou chuva que cai e que corre solta,
Sou água sem brilho e absorta,
Sou dessa terra mais um pecado!”

Que bem me veem dum amor-tortura!
Porque sou filho da amargura,
Do orgulho mudo do meu falsado...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 15 de junho de 2012



Politeísmo

Andantes pagãos, vis, enfeitiçados
Em visões complexas, de ouro coberto;
Sol destro, aos olhos fechados;
Visão sem luz, de tempo incerto...

Que murmuram nefário, que dialeto?
Se nada esconde os pecados!
Em fulgores se estendem em afeto,
O astro que nasce, os corpos dourados...

De nada se vê o mundo, que bondade?
Se aberto em fleuma é saudade,
Se de treva em agrado é tortura...

Que erguidas aos céus fossem as mãos,
E enlevar fosse a Deus os pagãos...
Que eterna fosse à luz que vos dura!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 6 de junho de 2012



Os meus versos

Na elação fúnebre das vozes displicentes
Cânticos mortos se erguem em amores
Rompendo os aspectos fúlgidos doentes
E de bálsamos puros renascem as flores...

Dos meus sentidos frígidos descontentes
Espectros que me rondam em ardores
Levantam-se em enigmáticos fulgores
E do meu corpo se apossam... Frementes

... Os indizíveis atos que me envolvem,
Que sem paixão em meu peito dissolvem
Elevam-se em desejos estáticos de dor...

E os meus jardins conspirados, impuros,
Imprecados por abantesmas conjuros
Ressurgem-se em cânticos vivos de amor...

(Poeta Dolandmay)


Missiva

“Na vida, há noites e há dias,
mas na magnitude do amor,
tudo se torna sol.”

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 30 de maio de 2012



Expressão

Digo aos versos a voz conspirada,
Qual dispersa amargura e amor...
Que vem quente, outr’ora gelada,
Que vêm trevas e vem esplendor...

Digo de alma, de ternura apagada,
De espírito-luz, de intenso fulgor...
Que digo da esperança fechada,
Que digo da fé a Deus-alto: Senhor!

Voz, que ao mudo, a alma chora...
De palavras frias, coração apavora,
Que apaga estrelas ao céu imenso...

Que ao reverso, perfume se’spalha...
Em primor aceso, do Divo que talha,
Como brisa mansa ao ar propenso...

(Poeta Dolandmay)


Num acaso conspirado...

(...)

“Os anjos me disseram que todo destino é mudo,
pois somos dele o que queremos ser.”

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 28 de maio de 2012



Reflexivo

De palavras nos faz o tempo, de amor nos completa a vida.

(Poeta Dolandmay)

sábado, 26 de maio de 2012



Destino mudo

Ao mundo me chegaste; e a dor me seja branda
Do primeiro sopro aos ventos de tristeza, elevado...
Disse-me os anjos dos céus que me agrada:
Vai como o sol que queima, seja luz e ornado!

Que na terra ando, como um louco desdenhado...
E por meus sonhos, e por minha esperança aceitada,
Que suplico! Que me amargo um ser curvado,
Como quem surgiu duma amargura conspirada. —

Vai, meu corpo bendito, e te brilhas da luz pura!
Por as trevas em que te passar, ao caminho torto,
Vai como a lua que nasce na estrada escura!

Que vagueio em meio ao fogo, sob o ar que respiro,
Como um sopro de amor ao meu fiel conforto,
Que me elevo à Deus! Fortuna muda que deliro!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 16 de maio de 2012



Último Pranto

Acaso torto! Hás d’eu, portanto, cumprir
Por esta vida de prantos e de amor:
Existência qual foi traçado o meu porvir,
E glória, qual me foi vista ao esplendor...

O firmamento, que me figura em exaurir
A maldição, o engano sedutor
Que me avaria, em promessas, induzir
A alma em displicência ao meu fulgor...

O qual me invoca em ilusão ao pecado,
Que sem razão, me complexa ao mundo,
Que sem esperança me intui elevado...

E consumado eu me vejo ao sol disposto,
A vencer todo chão de ardor profundo
Que de triunfos, eu me vejo sorrir o rosto...

(Poeta Dolandmay)