sábado, 14 de abril de 2012


Pretexto

Que nada me fosse vil! E pecado
Ao firmamento! E eu seria um santo,
Que, no mundo, o meu pesado
Seria o meu provar de acalanto...

E de toda à vida, eu seria um manto
Ao destino, que se prega andado,
Mudo. E, qual razão teria um pranto?
E de qual amor seria meu curvado...

Por tudo é essencialmente puro!
E nada é de vão momento...
Nem adúltero, nem enlouquecido...

Por tudo o que é desgraça, impuro!
E canto, e disperso ao vento
Do meu santo mundo o ardor vivido...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Voluptas

Eros e Psique, cobiças e orgias: amor.
Chamejantes de paixão, sem compreender,
Deuses e glórias, e destino, e prazer,
Na eloquência compulsiva do esplendor.

Espinhos e fragrância, lírios e furor...
Que mais de aparência há de beleza acender,
Mais os desejos fora de invídia o viver
Aos seus oráculos de crepúsculos e dor...

Ira e compaixão, morte e luz: vaidade.
Que mais fora de independência a saudade,
Mais fora de pulsar o coração infinito...

Que tolos de amores se possam abrasar...
Que belas se foram às faces, a se compulsar,
Por um feito de prazer um somente grito.

(Poeta Dolandmay)

Ao coração...

O amor nos compõe quando o queremos sentir.

(Poeta Dolandmay)

Compulsivo

Talvez um dia eu entenda o mundo.
Hoje, eu só quero é ser feliz!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 30 de março de 2012


O meu pecado

Porque me quis assim, cheio de dor!
Porque me criou estranho no mundo:
Um pássaro com asas de condor,
Um ádvena, um elevado, e profundo!

Porque me quis assim, um moribundo,
Sem que um brilho de esplendor,
Refletisse em mim, sem que fecundo,
Eu pudesse ser um nerval, um primor!

Conjura em mim uma noite orvalhada
Que se cria, e se move, sem alvorada,
Nem picos de luzes brancas e de ilusão...

Vagueio como um cipreste-calvo e frio,
Como um provar de orbe armentio,
Como me quis! Oh Deus da imensidão!

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 28 de março de 2012


Na torre da vida...

Toda agonia que sinto no peito, o amor
Consome nas ânsias do meu andado...
Revivo e canto, de saudade choro, a dor
Que sinto das misérias do meu ornado...

Componho os outonos, sem que primor
Fizesse alguém em meu brocado...
Folhas caem, rosas consomem, o ardor
Que perdi nas angústias do meu negado...

E os espinhos sepulcrais da juventude
Estabelecem o tempo, que vive e morre,
No espaço da crueldade e da virtude...

Que sinto, e revivo, e choro por outra era,
Por ambição, o que quis noutra torre,
Os florais que perduram à minha espera...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 23 de março de 2012


A minha prova

Dados os meus dias de orgulho e de sol
Por Aquele que vence o desalento e a dor.
Fez-me um rei com beleza de arrebol,
Fez-me um anjo d’asas brancas e de amor.

Dados em mim os cânticos do rouxinol
Por os arcanjos das noites e do esplendor.
Fizeram-me alto, um bendito, um escol
Entre os mortais de paixão e de primor.

O mau? O que me interessa se no mundo
Todo o amor foi me dado, e se profundo,
Eu vivo por compor um ente idolatrado?

Eis o meu império de orgulho e de raça...
Minha ação, meus sonhos, minha desgraça
Vence-me à vida o Deus do meu curvado!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 22 de março de 2012


A Flor e o Poeta

Do teu corpo caído fosse à porta,
Do amor que figura o coração perdido.
Do teu corpo fosse o bem sentido,
Da paixão que perdura a rosa morta.

De o teu semblante o versar suporta,
Em palavras belas o ardor vencido...
Do teu jardim não fora esquecido,
O perfume doce que em mim conforta.

E sepulcros contam a nossa história...
Que ao renascer, traduzem em memória:
Almas benditas e de sonhos infinitos...

Que de esperança o nosso amor fereza!
Que dos caminhos, somos a leveza,
Que das ardências nos já somos mitos...

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 15 de março de 2012


Atribulados

Avejões de luz, anjos de glórias e poder,
Seres impudicos de cabal convento
E herbáceas penitentes, fulguram o jazer
Na inconstância lúbrica dum só lamento.

Fulgores conspirados de vital momento...
Acendem-se em temores do sepulcro dever
Enternecido a morte. E traçam sentimento,
Do místico do claustro o inefável viver...

Cancelam apatia. Enganosos de esplendor
E de dosares complexos. Comungam em vão
Revelando em discórdia agonia e amor.

Cantam o fogo, luzes que quebram a aura;
E santificam o crepúsculo, de ardor e aflição
Nas pétalas impuras da fulgente gaura.

(Poeta Dolandmay)

De distúrbios...

Às vezes, temos que alimentar a alma
para que o bem nos impere.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 13 de março de 2012


Obsesso

Há no meu amor um desejo e uma lenda,
Que são de ‘spasmos fiéis e de conflito,
Que são de paixões e de oferenda;
Que me tornam na vida um ser bendito.

Há na minh’alma um fulgor e uma emenda,
Que são por um conforto de infinito,
Que são de louvores à minha contenda;
Que são por todo plano o meu grito.

Espíritos me rondam os espaços mais cruéis,
Por vaidades que bendizem verdadeiros;
Por razões me confundir de amor e sonho.

No meu amor, se passam como fortes leis
A provar, de mim, recantos altaneiros;
Que por Deus, é o forte amor qu’eu disponho.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 9 de março de 2012


Bem-aventurado

Abençoado é aquele que de esperança sonha,
Que de julgo é julgado por amor e honra;
Que encontra na fé, a vida; que vive e inconha,
O calor do imenso sol; que a noite, desonra.

Abençoado é aquele que de quietude prega,
Que de alento absoluto ao coração disponha;
Que de mágoas, não devolve mágoas; que cega,
Do fruto execrável o teu sentir à peçonha...

Abençoado é aquele que das águas se banha,
Que das flores, aos jardins se veste em perfume;
Que ensinaste aos humildes tua sã coragem...

Abençoado é aquele que dentre as montanhas,
Dos seus ideais, de bondade reflete o lume,
E que de existência se cria a Deus sua imagem...

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 7 de março de 2012


Amor, paixão e dor

O amor nos é livre,
mas de paixão nos prende.
O amor é único,
mas em cada sentimento;
é um sentimento.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


Orgias

Entre a virgem santa e o pecador,
A paixão se revela dentre as orgias.
O amor se confunde ao seu fulgor;
Por lua ardência, enganos e magias...

De amores vis, de sentinelas frias,
Que inverdades retratam em primor,
Em inconstância, e, sem que pudor;
De afeições se vivem à luz dos dias...

Pulsantes órgãos: perverso e puro,
De enlear sentimento eterno e breve;
A se curvar convulsas leis benditas...

Que de amor, o sol se veste impuro,
Chamas ruem calor instante e leve;
E almas choram... ardências infinitas...

(Poeta Dolandmay)

sábado, 18 de fevereiro de 2012


Voz, amor e cobiça

Quando falamos de coração,
A voz se torna eterna...
O tempo passa...
Mas o amor não morre!
Que à cobiça fossem de amor,
E nada de dor sentiriam...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


Escopo

Não é saber, nem é alvo; é lição e destino...
Nasces e cresces, em distintos intentos,
A cumprir, a amar, em alegres momentos,
Cada dia em que viver o teu provar ensino.

Dominado ou livre, sem vis sentimentos;
Andarás fulgurando em humilde ferino,
A prover, em encantos, o teu sol matutino,
No amor e no provir d’um só convento...

Sem tombar ao cordel de tua larga estrada,
Na tua voz conspirada e, esplandecida, —
Que rogarás de afeto tua mordaz morada;

E, no alfabeto impugno do teu sã’ conforto,
Na tua veste sagrada e, enternecida, —
Que entregarás aos céus teu fadário morto.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


Foto/arte: Evaporare da lacrime di gomma (Daniele Manfredini)


Narrativa

Para cada prova um pagamento,
Para cada agonia um desejo,
Para cada voar um movimento,
Para cada ternura um beijo...

Para cada sabor um sentimento,
Para cada dia um ensejo,
Para cada corpo um almejo,
Para cada acaso um argumento...

Para cada fragrância um amor,
Para cada descaso uma dor,
E para cada alma, um infinito...

Para cada consorte uma ardentia,
Para cada paixão um novo dia,
E para cada expressão, um só mito.

(Poeta Dolandmay)

sábado, 11 de fevereiro de 2012


Isolado

Eu estava em um lugar onde apenas os pássaros cantavam...
Onde o ocaso se fazia melodia com os sussurros dos ventos,
E o meu coração trovejava no vigor da noite sem nuvens...

Eu estava em um lugar onde à luz me queimavam os olhos...
Onde os bálsamos peculiares e as flores mortas me rendiam,
E a terra quente e seca me queimava os pés sob a aparência...

Eu estava em um lugar onde nada de amor imperava a alma...
Onde a paixão não se manifestava em âmagos propícios,
E os desejos não se entrelaçavam ao corpo e ao sangue frio...

Eu estava em um lugar onde cobras e ratos se pertenciam...
Onde de alimentos faziam das trevas as suas principais vozes,
E os seus murmúrios surdiam os tímpanos invioláveis e vis...

Eu estava em um lugar onde de ossos e couro me via o corpo...
Onde de expressão não me entendiam aos versos de sanidade,
E os céus me eram distantes, mas de sabedoria me enaltecia...

Eu estava em um lugar onde apenas de mim se alimentava...
Onde de absoluta a minha fé se exigia aos fictos desnudar,
Onde me fiz santo às promessas, e o sol me reinou a esperança...

(Poeta Dolandmay)


“In Insultos”

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Dest’arte

Sou aquele que desperta as almas escuras:
Enigmas da noite, por todo esplendor...
Em que vagam, por abstinências e dor,
Dos meus olhos fechados são murmuras...

E os elevo, à grandeza de vossas alvuras...
— Ó vultos transparentes de visão ardor —
De minh’alma cansada, e de vos pecador,
Que os mortais não nos vejam amarguras!

E na profundeza vã das miragens, aberta,
A porta dos espíritos vãos, que desperta,
Que nos revele o dest’arte do amor-pagão...

E na noite, pálida, a‘lma branca que vaga,
Sob o imenso olimpo de fogo, agonia apaga,
E os vês, dias de glórias sob vossa ilusão...

(Poeta Dolandmay)