terça-feira, 10 de janeiro de 2012


Ao luar de apogeu...

Eu sei lá se sou alguém
Cá nesse mundo onde não se é ninguém...
Talvez mais um rastejante
Neste astro de poeira e desdém!

(Poeta Dolandmay)

Mas que brilhar em ardentia...

Se que as chamas brotam do calor;
assim como o Poeta ressurge das cinzas.

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


Reverso...
(O Poeta e a Glória)


Se que eu for demais. Ao mundo,
Em que eu murmuro e canto,
Se que for de voz altiva, e profundo,
D’alma leve em que me acalanto,

Dir-se-eis: e vencido o verso meu!
— Outrora ouvir que não fosse nada,
Um bendito, de luz que se apaga,
Um anjo, sem se quer voar morreu.

E que, de humana voz que canta,
Que endoidece e que encanta...
— E nada; se for de orgulho e riso,

Pois, que tudo é tão igual a tudo,
E nasce, e ama, e à terra fica mudo,
E a Deus repousa ao mesmo juízo!

(Poeta Dolandmay)

sábado, 17 de dezembro de 2011


Ao esplêndido

“O poema se lê com a alma;
e nela nada se deixa de entender!”

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


À Dama d’Elite

Dantes eu pregado aos teus desejos,
Exaltado ao teu odor, eu murmurava
Por cobiça ao vigor d’os teus pejos,
E o meu amor de paixão s’edificava...

Que, hoje me abrigo aos teus ensejos,
De fim aos anseios, que desventurava,
Dos tormentos que ainda eu protejo,
Dos teus aromas que me enfeitiçava...

E por minha tortura de infinito amor
Inda rogo aos céus: que a ti proteja,
Para toda a infindável paz-imaculada;

Que nos enfeitam ao mesmo esplendor
Por séculos e, por séculos alegre seja
A tua infinita fragrância-deslumbrada!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


A um Poeta

E vozes interagem o que escrevo!
Na minh’ alma o silêncio corta,
Dizendo o que sou e o que devo,
Dos meus olhos já de água morta!

Sussurros estranhos igual ao meu?
Deuses choram versos mortos...
Não sou de brado igual ao teu!
Só canto as mágoas que conforto!

Nuvens, Poeta, cobrem o meu dia!
O sol de esperança, me é fantasia
Como as preces que clareia e sente...

Os meus segredos, eu te desvendo:
Penso o que pensas d’ alma lendo
O que sou à boca já de toda a gente!

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


Quando da minha luz

O dia estava triste! O céu estava escuro,
Vozes vagavam aflitas ao vento,
Na imensidão do meu sarcástico convento;
— A agonia que ao meu peito perduro!

A chuva que caía era fina, o cântico impuro,
E o meu espírito tenebroso e lento,
Dentre a minh’alma de aflição e desalento
Orava aos céus o fulgor que me conjuro:

— Cânticos incrédulos sem amor e graça,
Que nem de ardor e de esperança a prender
Amenizam os dias de dor e desgraça!

Almas rezavam por alegria que impressiona,
Que de tristeza vagueia a perecer: —
“Deixa-o à luz, no mesmo amor que a toma!”

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011


D’um amor edênico
(O tremor primeiro)

Nada me foste tão breve e inconstante,
Vago e triste... Apenas um momento
De incerteza ao meu ignóbil julgamento,
Ao meu miserável coração amante...

Nada me foste de tão pouco instante,
Trêmulo e hábil, de mutável pensamento,
De inconstâncias precárias e tormento
Ao meu sobrevir de aclamação prestante...

Triunfo extremado, de amor e de orgia,
Paixão e desejo; afrodisíacos odores
Que me inibem, que endoidece e fantasia

O firmamento, do meu corpo honrado,
Notável e humano! E de seus amores,
Nada me foste de melancolias e pecado!

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Insanidade

Por que de vida estranha pôde o amor?
Que sentimento corrompe e engana
Em gume desejado, sem que o fosse dor
Numa vida ardente e de alma insana?

Por que de vida alheia a paixão profana?
Quais eloquentes vozes de condor
Ao brado de anseios duma alma humana
Pôde o coração sem que a fosse ardor?

Antes inspirados em desejos poucos
Os meus lábios ávidos e inconsequentes,
Que fosse a sofrer eu em sonhos loucos...

Móvel no qual me ponho a dormir
Sentindo os castigos das cobiças quentes,
E que nada de insano fosse a eu devir!

(Poeta Dolandmay)

sábado, 26 de novembro de 2011


Numa rua que ontem passei...
(Mendigos d’ Luz)

Nada nos surpreende mais, nada.
Os ventos murmuram nas ruas
E as almas melodiam as canções,
E elas cantam...
Não há pássaros, não há árvores nem flores.
Mas nessa escuridão estamos nós
Como fulgor de estrelas apagadas.
(E eles estavam ajoelhados ao chão.)
Sem nos surpreender.
Sim, em clamor aos anjos eternos...
E eles bradam aos céus
Mesmo que nada nos importe mais.
Eles estão aqui, ao lado de nós; por glórias.
Eles estão aqui ao lado dos mortos;
Porque a nós se importam,
Mesmo sem luz, mesmo sem amor.
Porque somos eternos...
Mesmo sem vida, mesmo sem sermos santos.
Mas podemos escolher,
Podemos escolher ser os melhores...
Os que têm vida, mas não se importa.
Os que têm amor, mas não doa,
Não cantam, não clamam...
Porque tudo é único a nós mesmos
Porque só vemos uma luz, a de nós mesmos...
Até quando vamos viver?
Eternos, não poderemos ser de sangue.
Mas eternos...
Poderemos ser de luz e de canções...
Eternos, não poderemos ser de sangue.
Mas eternos...
Poderemos ser glórias e de amor...
Mas por que vagamos?
(E eles estavam ajoelhados ao chão.)
Porque nada nos surpreende mais, nada.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


Aflição

Momentos de dor ao peito triste!
Que tudo nos leva a se envolver,
Que nos consome sem compreender
Os enganos avaros que nos resiste...

Solidão, que a toda alma existe...
Renascendo aos olhos sem vos deter,
Sempre em ilusões a nos prender
Nas noites frias que vos persiste...

Nada é de adiantar na ilusão, nada!
Sempre ao coração o brilho apaga...
Sempre indefinido é qualquer amor!

“Se que de engano é que nos cria
Os momentos de tortura, à noite fria,
– Que nada de orgulho vence a dor!”

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


Uma razão pra existir...

Tudo quer à imensidão,
Porque o coração existe, você ama.
Tudo ama sem sentir.
Porque o amor que canta é viver...

Tudo quer ver alegre,
Porque de vida extensa fica breve.
Você sorri.
Tudo sorri em fantasia.
Porque à esperança é enternecer...

Mocidade, não há de compreender.
Tudo nasce e se vai como se vem.
Cantamos e vivemos para sempre...
“O sol queima sem sofrer.”
(A lua ama sem sentir.)
Porque nada é de razão indiferente.

E o mundo gira, e nasce.
E você renasce.
E as flores crescem.
E o amor nos julga eternamente...

Porque tudo quer à imensidão,
Porque o coração existe, você ama.
Tudo ama sem sentir.
Porque existe uma razão pra existir...

Você feliz!

(Poeta Dolandmay)

A minha voz

A minha voz é de amores! Enfeitiçados
Os que ela ouvir; – gritos de saudades!
Somente os corações desventurados,
Hão de ouvi-la, por tristezas e verdades.

A minha voz é de paixão e de vaidades...
Por distúrbios; – afetos desconcertados!
São murmúrios de dor e ansiedades,
Que aos ventos vagam desconsolados...

É de beleza, a ouvi-la, aquele que chora,
De chama o que ouve essa voz que clama:
“Benditos de amor; – os que lhe devora!”

Pois a mim, mais nada há por se perecer,
Mais nada há, em voz que se derrama...
– Por distúrbios em amores eu absorver!

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011


Aos versos de antes...
(Lua irmã)


Saber o que eu era – dantes à vida
Ninguém pode, nem eu a rir...
Pois que falar, já ensandecida
Ponde a minh’alma: não vou sorrir...

Tantos mistérios... Oh, luz guarida!
Perguntei a lua em seu luzir:
Meus versos d’ouro, a chama erguida,
Sabido aos céus já de existir?

Lua responde, em tom grosseiro:
Saber Poeta! Que sou mais formosa
Que as estrelas de seu cruzeiro,

Que sou mais luz que uma rosa,
Não mais que a ti, – que é verdadeiro!
“................................................”

(Poeta Dolandmay)

sábado, 29 de outubro de 2011


O amor de Deus é absoluto!

Não podemos ocultar a verdade!
“Onde dizemos há tristeza;
é onde mora a maior alegria.”

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 25 de outubro de 2011


Múltiplos

Mesmo ao sol ardente,
nada queima o buscar de amor;
assim como, nos sonhos,
a paixão beija a esperança.

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Ao dia depois de ontem...
(O adeus de bela)

Não direis pecados! Em prantos: triste ficou
O coração, ansiando tua presença-amiga,
Como o vento, a sussurrar, na sua fria cantiga
Os versos alegres que em outrora cantou...

No peito, pobre, como um mendigo que amou;
E, feito um anjo, que sua veste bendiga,
Que pregando entre tua crença e tua fadiga,
Nada sabe o que sente; e o que agora eu sou...

Talvez um perpétuo, condenado e amargo
Nas tristes vozes dos ventos eternos...
Ou talvez, simplesmente, um fanhoso espargo.

Agrados é o que eu sinto nesta canção de agora,
Sem começo nem fim: são os cantos ternos
Dum coração que anseia e dum amor que chora.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


? ...

Talvez, eu sem saber, direis: que nada
Perdeste no que não tinhas! Por quê?
— Para viver o confuso, não se vê
Todos os dias; quais se foram alvorada...

Portanto, então, o que nos faz crescer
Ao deserto onde vivemos? — Ofuscada,
Cintila a nossa indiferença, sem saber
Em qual era a vida nos será eternizada.

Faleis que tudo: “Mistérios convulsos!
Por o sol aparecer, e se pôr perdido;
Quês, o amor, nos vêm aos impulsos...”

Entretanto, sê quer dizer magistérios!
Pois, o que há de se perder ferido
Se no que vivamos há-de ser mistérios?

(Poeta Dolandmay)

Mensagem a ela

“Os nossos amores são gêmeos... Porém, a se ofuscar
em desentendimentos breves...
Quais, não nos entendem em certas razões...

Pois, assim, queremos ser doutrinados,
e saber, sem saber que nada nos é revelado
do amanhã, tudo nos é ainda mistério!

Não se vê os dias de sol, no que ainda não existe!
Os de amor, ou não de amor...
Cada qual, nós viveremos no presente...

Não ofusque a minha luz aos seus temores...
A sublime, e aqueça a sua alma...
Sem que haja adivinhações de meus sentimentos...
Acredite em seu coração!

Não adivinhe futuros... Por medo,
ao meu amor, me compreenda e me ame!

Nada do que achamos ser, se não escrito,
não nos abre a mente... Não quero dizer que se fecha a isso,
ao contrário, tudo que devemos fazer e fazemos
também já foram escritos, para que, nunca esqueçamos...

Vivamos, e sonhamos nos dias de luz, por todos os dias!”

(Poeta Dolandmay)