terça-feira, 18 de outubro de 2011


Intuito à Rosa

E tudo eu vi! O teu caminho do amor
É como o meu peito, rubro, pulsante
De intenso calor, mas que de instante,
Luz que se ofusca a seu breve primor...

Olha-me! Como um astro esplendor,
Clareias, tuas noites de oiro ondeante,
E íntima abrasar, convulsa, ofegante
Eleva-se, su’alma tranquila e sem dor...

Eu a vejo como a lua cheia de amores,
De cor intensa, e ao fulgor de extremo,
Abrindo-se em paixão sem se perder...

Mas a notar, e sentir, ínfimos temores,
Por seu desígnio, a meu amor supremo,
Sem que nada há-de me compreender.

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011


Cântico à flor doirada

Olhas o destino que a ti desses, e bela
Não digas ser apenas a frívola vida...
Mas vejas, que não tenhas mais garrida
Como as moças das antigas aquarelas.

Em feitiços fossem as cantigas delas...
Em benditas soais, por já, tua voz caída:
Que, portanto tu és a ensandecida
Com o teu infindo fulgor de estrelas...

Achocalhando as suas tranças doiradas,
Vais... e sonhas, vais... e cantas: ó lua,
Já que sois de ti o beijar das alvoradas...

Pois glória, alegria à suas mãos amigas!
Que, tua existência já se perpetua
Nas mais tão belas e infindas cantigas...

(Poeta Dolandmay)

Na orquestra do destino...

Somos das estrelas o seu próprio brilho.
Somos da lua, a luz bendita.
Busquemos brilhar os seus infinitos...

(Poeta Dolandmay)

Em compostura...

“A vida nos priva, e o amor desponta,
os sonhos prolongam... e a esperança conclui.”

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011


Excelência

Vejo há instante o amanhecer,
Flores novas e o sol brilhante...
Sendo que nada era preciso ver.

Vejo há instante o azul do mar,
Cantigas belas e a lua amante...
Sendo que tudo já me era amar.

Vejo há instante o beijo louco,
Paixão ardente na rua distante...
Sendo que nada me era pouco.

Vejo há instante o meu coração
Pulsar frenético e ofegante...
Sendo que nada me era em vão.

Vejo há instante o que me podia
O meu corpo firme e elegante...
Sendo que nem já me era o dia.

Vejo na noite a dor e a saudade
A presença que me faz instante;
O amor ondeante e de vaidade...

— E eu vejo a esperança. E vivo!

(Poeta Dolandmay)


Das excelências...

Tudo está ao sol!
Tudo está florido!
Tudo está perto!

Mas, na multidão,
tudo é escuro,
tudo é solitário,
tudo é distante;
por nada sabermos
compreender...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011


À flor de lírio

Se que eu poderia disjuntar do mundo;
Ato descontente à vida inteira...
— Por ser complexo a alma-primeira,
Que ternos amores foi-se eu profundo?

Se que eu poderia a ser um maribundo;
De mim sugada a flor companheira...
— Instantes mortos quais de a videira;
Que perder os frutos já por um segundo?

Flor de planos sem que de pouco amor
Vinda às figueiras já com seu primor
Nos espinhos transformados em escudo...

Se galhos compridos em seu vil destino,
Como estranho se quer um desatino
Porquanto a amo já bem mais que tudo?

(Poeta Dolandmay)

Essência completa

Como poderá algo ser destruído
se não mais há uma pedra em pé?
Um amor de carne acaba, mas o amor de espírito
aos vínculos criados nunca acabarão...
O amor deverá que ser livre de transtornos,
e limpo de espírito.
Uma coisa pode ser a mesma coisa,
outra nunca pode ser uma.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Amor de primavera

Tão agradável é viver o amor bonito
Nas entranhas do infinito
Onde nasce a primavera...
Deixar a mente clarear um céu azul
Sobre as estrelas lá do sul
Onde a saudade não se’spera...

Amor alegre
Que incendeia a lua amante
Renascendo em cada instante
Nos embalos da paixão...
Amor afável na imensa alvorada
Que se vem sem quer dum nada
Nos pulsar o coração...

Astro brilhante tão bonito de se ver
Nascendo a cada amanhecer
Alimentando as videiras...
Tão agradável é ver a vida se’mbalar
Da solidão que a faz ficar
Sem as almas gêmeas companheiras.

Flor que cresce do imenso infinito
É esse amor bonito
Que não se quer qualquer razão...
E a sua luz de oiro forte a crepitar
São dos reflexos lá do mar
Onde tudo é vivo e nada é vão...

Amor alegre
Que incendeia a lua amante
Renascendo em cada instante
Nos embalos da paixão...
Amor afável na imensa alvorada
Que se vem sem quer dum nada
Nos pulsar o coração...

Astro brilhante tão bonito de se ver
Nascendo a cada amanhecer
Alimentando as videiras...
Tão agradável é ver a vida se’mbalar
Da solidão que a faz ficar
Sem as almas gêmeas companheiras.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011


Como todo sonho...

Somente nós,
poderemos buscar a alegria,
e nos completar
com a que nos fazem;
se nos fizerem,
sem termos a nossa própria,
nada nos terá valor.

(Poeta Dolandmay)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


Sabatina

Não vou dormir sem me deixar existir
No tempo que ganhei de presente.
Fez de tua presença uma esperança
O amor de quem sou dependente.

Não quero ser um destroçado na vida,
Quero ser amado no mundo.
Meu coração é um cerne amargo,
Mas meu sangue é vermelho profundo.

Quero acordar com o branco da lua,
Com os cânticos divinos do céu,
E nas colheitas que em mim perpetua
As flores d’um jardim sem mantéu.

E neste tempo que não faz amar,
Tão cruel, tão desumano, neste temor
Quero jogar minhas túnicas ao mar,
Quero provar o que Deus me deixou.

(Poeta Dolandmay)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


Poética inspiração - Primavera
(O Alento)


Das noites frias e de ventos fortes,
Vem surgindo a vida, deixa as mortes,
O bálsamo do tempo cheirando flor.

Folhagens secas caídas ao chão...
A dor do ser por um tempo é ilusão
Os Poetas espremem, no peito, a dor.

Cantam a vida que vem surgindo...
Ao clarear do sol – o amor vem vindo
Quase em brasa, lenitivo de sorte.

São chamas, são deuses erguidos
Que das tuas noites são, zumbis caídos
E das primaveras, são norte.

(Poeta Dolandmay)

Tempo de criança

Se num momento passado
Tudo era esperança...
Em uma criança o que se busca
É um amor eternizado...

Se num mundo imaginado
Tudo é de cor azul,
Aos céus se faz mover
Os trovões emaranhados...

Se em cada voz o cantar
É de felicidade e promessas...
Desde tudo às faz passar
O Deus da vida, o bem amado...

Se das estrelas pingarem
Lágrimas de amor enfeitado,
De inocentes pedintes
O afeto dos céus é brotado...

Mas se por luas dormentes
O branco não for de paz,
Nasce da voz pequenina:
Das noites se tenha cuidados...

E assim se vão ao tempo
De cantos brindando o mundo,
De cada gesto em segundo
Ganhando os céus sem pecados...

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 13 de setembro de 2011


Sem que, um dia, morreremos...

E quando pensamos que tudo está tranquilo,
A tempestade vem, e nos derruba, sem que
Possamos ter um ato de defesa, e tudo é vão...

O mundo se torna pequeno, e a água salgada...
No coração, apenas o veneno do sangue frio
O faz pulsar na calada e densa solidão...

E a flor não é mais o lírio, é margarida roxa
Enfeitando o jardim sob as nuvens mortas...
E tudo o que amamos nos passam a ser ilusão.

Assim os dias começam a passar sem que
Nos mostrem o fim do desalento intenso...
E o sol não brilha, e a lua não ama a paixão...

Mas tudo está correto! E não conseguimos ver
O cumprimento do que plantamos sem luz,
Do que odiamos e nos desfizemos ao coração...

E pássaros voam sem medo de cair, cantando...
Flores nascem às terras imundas e negras.
E nós, gritamos à vida numa eterna imensidão.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


Motivo

Por tudo aquilo que eu fui, que eu sou, e serei
Na distância em que o infinito me guarda...
E por tudo aquilo que eu ainda nem sei
E do que serei nessa vida que me diz amada
Mesmo assim, às vezes solidão, outras amor,
Mesmo assim, agora sem nada, sem fulgor,
Sem que os dias amanheçam sorrindo,
Sem que à tarde seja de calor, seja sem ar,
Sem que à noite não me tenha o luar,
Mesmo que as cantigas me cantam ferindo,
E os pássaros não voam, as flores não cheiram
E o mar seja cinza, e o sol não aquece...
Eu sei, que tudo é dos céus que me queiram
Sorrindo a prova do que em mim apetece
Sem que num adeus eu venha a abandonar
Aquilo que me foi dado, que me é, que me será
Um viver sem dor, de paixão e de glória...
Por tudo isso, hoje, me deixa a memória
Que sonhos não morrem e esperança é amar.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 30 de agosto de 2011


O início

Induziram as sementes
A não se exporem ao tempo de sol.
Distorceram os sonhos.

Induziram os olhos
Que enxergavam o fim da noite.
Ofuscaram os dias.

Induziram as cantigas
Que soavam em meio às montanhas.
Implantaram o silêncio.

Induziram as esperanças
Que se continham ao tempo infinito.
Pararam os relógios.

Induziram o amanhecer...
Que ficou denso, que ficou morto.
Surdiram os ouvidos.

Induziram o coração
Que pulsava em vaidades eloquentes.
Mas não compreenderam o amor.

(Poeta Dolandmay)

terça-feira, 23 de agosto de 2011


Sob minhas bênçãos

Eu não julgo as pessoas más,
as desejo a luz dos céus, sempre...
Que os pecados deles
sejam consumidos pelos anjos do bem,
e que os renovem na infinita paz
quando desse mundo se forem...
Eu sei que muitos irão me ignorar
nos meus momentos de felicidade,
mas eu sei também
que muitos irão me sorrir...
E os que me sorrirem,
que Deus os abençoe na felicidade,
e para os que me ignorarem
também; pois verão, o quanto é forte
uma benção de alegria...

(Poeta Dolandmay)

sábado, 20 de agosto de 2011


Meu livro

O tempo passa... Que pena o tempo
Não se disfarça, não me persiste...
O tempo passa... Lá vem o vento
À minha face, que nada existe...

E vem o tempo... Que não é tempo...
Olha ela aí, — minh’alma triste...
E vem a noite; meu sentimento
N’ la sem lágrimas que me resiste

...Visão sem olhos, corpos sem luz,
Amor sem cor que não traduz
O espaço fúnebre de seu infinito...

Lá vai a vida... Tempo sem nada...
Sem quer paixão nem gargalhada,
Vão-se em fólios, desejos, e mito...

(Poeta Dolandmay)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Ressurreição

“Eu deixei que o mundo falasse de mim,
Que me vissem como um mendigo.
Eu deixei que todos me vissem assim:
Ele é aquele que roga aos céus, perdido.

Nesse mundo de vaidades eu fui perigo.
Aos reis, santo sem morte e nem fim...
Donde o amor não morre fui querubim.
E o meu sangue ao mundo, esculpido...

Daquele de que fui traído, beijei a face,
— Do mau que o ordenava ficar de pé
A ornar o meu corpo triste sobre a cruz...

E daqueles que de mim, oração falasse,
Eis que os ressurge a salvação, e fé...”
Disse aquele que nos deu a vida: Jesus!

(Poeta Dolandmay)