terça-feira, 13 de abril de 2010

CÂNTICO DE LUZ

Detrás de mim vêm os sonhos,
E na frente de mim à esperança
De os desejos inteiros da vida
De amor e paixão a chama erguida,
De os meus dias todos de paz!...

E detrás, porque vivo adiante...
E à frente porque o destino não vê
O imenso céu e brilhante
Dos meus dias a morrer, nunca mais!

Ninguém vive se não vive o viver
E ninguém ama se não ama o amar,
Porque sofre se não sofre o sofrer
E não vê quem andou sobre o mar...

E sobre os astros, de todos os astros
E sobre a trilha a trilhar os seus passos,
De o sangue de toda a esperança
A levar-nos contigo em teus braços!

(E detrás de mim, vêm os sonhos,
E na frente de mim à esperança
Por juntar-nos a infindável aliança
De os teus dias todos de paz!...)

(Poeta- Dolandmay)

DESENCANTO

Eu vivo nas trevas e no desencanto
Não acredito em nada nesta fútil era,
Pois em mim o que vêem, é uma fera!
Nasci pra viver em pleno pranto!...

Eu não tenho vontade e nem amo tanto
Para acreditar, no que me dera...
São afeições fúteis que dilacera,
Que não tem vida, que não tem encanto!

A luz do dia, sem fulgor, me prejudica
Nada me tem valor, e nada explica,
O que pode me tornar no tempo assim...

As horas não passam... nesta ardência
Tentam me reanimar com freqüência
Mas nada adianta, tudo errou em mim...

(Poeta- Dolandmay)

domingo, 11 de abril de 2010


Um grito de saudade

Por tudo que me foste em verdade,
Guardei-as, no meu peito, triste.
E quando me vêm à saudade
Ai, que o seu amor não existe!...

Por tudo que me foste em lealdade
Dentro do meu peito persiste
As lágrimas de sangue e maldade
Deste amor que em mim resiste.

Falo-lhe da paixão que me deste,
De quando em vaidade a fizeste
Ser uma saudade plena e infinita.

Mas de fato que eu a amava tanto
É que hoje eu espalho o meu pranto
Sob a voz que a minha alma grita!

(Poeta- Dolandmay)
PRECE DE BARDO

Olha-me, ó Luz, o que vês?
Não sou da claridade de ti!
Posso até ser o ofusco da noite,
Mas de o teu Amor me perdi.

Tu és o oiro que deita ao mar!
Eu sou à sombra da alvorada fria.
Deixo-te o meu coração
— O intento de minha alegria!

Vais agora para o mundo,
Espargir para as almas santas
Este amor que te é profundo.
E dentro de o teu peito nu
Rogas a bendita chama
Nas almas divinas que encontrar.
Sejas de todas que ama
As noites claras de um luar.

E então como os que sonham,
Ó Luz que me clareia,
Serei a esperança viva
Nas correntes de o teu fulgor,
Para que em ti encontrem o jardim
Aqueles que na forma de mim
Enxergarem o Amor que tive.
(Certo de que se alegrarão
Nas claridades que consigo vive!)

(Poeta- Dolandmay)


INFORMAL

Fontal de inquietude,
Planeta deserto.

Alma de Poeta amiúde,
Pensante por certo.

Não se pode ninguém
Entender este ser.

Porque será também
Neste mundo a morrer.

Morrer de quê?
Não necessito de vida!

Será que não vê,
A minh’alma erguida?

Acabei de dizer
Que tu és um louco!

Quem sabe em querer
A tu’alma entender...
Não entende tampouco!

(Poeta- Dolandmay)

sábado, 27 de março de 2010

UM DIA...

Quando vier até mim à morte, Amor!
Quero-te toda branda no teu viver...
Quando o dia descansar de mim, a dor
Também descansará na luz do teu ser.

Quando vier a tu’alma a eu encontrar
Nos pés de Deus empossado de paz,
Quero-te a mim, por morrer nunca mais
O amor que me deste, num fino altar!

O meu coração é um ermo desastrado
Sob o teu querer doce e imaculado,
Que descansar prometeu entre a gente.

Mas deixa-me ir sem levar-te o pranto,
Sem que anoiteça ao teu acalanto
O amar-término dum viver descontente.

(Poeta- Dolandmay)

TESTAMENTÁRIA

Antes fosse p’ra cantar
e antes fosse sem querer
o destino que é amar,
e o sentir não seria sofrer...

E antes fosse sem rumo
os caminhos desta vida...
nada sofreria ao sumo,
no supremo ato da partida.

Antes fosse apenas sonho
e tudo fosse esperança,
do amor que me disponho,
e do peito semelhança...

E assim o que sente triste
na luz calha d’um viver,
(na praga santa que persiste,
o sentir não seria sofrer!...)

(Poeta- Dolandmay)

O Amor e o Poeta!

Ora, Poeta, não te sabes que,
o Amor, não se têm ninguém mas,
que é do Poeta, a tua loucura?!

Nossos sentimentos são extintos.
Às vezes, somos os mesmos,
sem que ninguém nos perceba.

Pois o Amor, está-nos tão longe e
tão incerto, que quando percebemos,
a nós mesmos escrevemos...

(Poeta- Dolandmay)
Musicais

Ah, as notas dispersas
Da melodia da vida;
Notas que faz o Poeta
D'alma louca perdida.

Põe a cantar na flor
O triste dia passado;
Mendigo roga o Amor
O Poeta amargurado.

Sente no peito e chora,
Canta na boca e sorri
Notas que a ti apavora
De a própria alma saí.

Ah, de estas notas em ti
E de tu'alma caída,
Dos céus em torno a si,
Da minh'alma perdida.

(Poeta Dolandmay)

quarta-feira, 10 de março de 2010


A ROSA E O POETA

Não me admiro, mas sim aos outros.
É como uma visão me fizesse enxergar o amor das pessoas.
Quem sabe, um dia, saberão?
Quem sabe um dia...

Quase,
mas sei o que me falta!
É um pouco diferente,
mas não deixa de ser a mesma coisa.

O mundo me falta...
O que existe nele me falta!
Não me entenderias...
Quero que o mundo me abrace!
Quem sabe podes entender...
"Nada que pessoas iguais a mim ou que acham iguais a mim,
se que não existe ninguém igual,
que não tentas me definir, e me traduz!"

Espera!...
Eu sou do presente o ontem,
o espírito que te voltas nos dias...
Quem te fala de amor, vida e tristeza,
quem não te aflige nas noites,
mas te ofusca à luz.

"Não mais irei intervir nos teus sentimentos!
Não mais serei a tua voz, mas serei todo o teu amor!
Serei o livre arbítrio das tuas escolhas, e o teu destino...
A sombra que me cobres da luz do sol será a tua sombra,
e o sangue do meu corpo será o teu sangue!"

(...)

(Poeta- Dolandmay)

Coração Bendito

Tenho em mim um coração
Que a vida devora, horas
Um ser nostálgico, outras amor
Que vive alegria, que vive dor
Nas entranhas da vida
Nas rosas, nos cantos, vãos!

Tenho a canção, rara vida...
Aos céus a erguer saudosas mãos.
Vai vida, espero-te aqui a rogar
Sozinho, nas sombras do sol...
A mim queima, as noites todas
Em mim só existe, por te amar!

Canto, revivo, serenata chora...
Minha voz, estranha em ti,
Porta da alma num além, outrora
Passagem às trevas também —
Elemento que vive e canta
Melhores dias do corpo, e vive!...

Estranho ser de ilusão, bendito
Ramados traços de afeto aflito
Tu és de mim o amor (que tive!)

(Poeta- Dolandmay)

Um grito de esperança.

Num dia de sol, de lua, tão triste este dia.
A vida, o desespero, a saudade. Dor n’alma
que faz sentir um amor. Oiro celeste.
Uma alvorada fria, uma noite ao vento. Pede-me calma
dos sentimentos nostálgicos que me deste.
Uma estrela, saudosa luz, estranha força e magia.
Talvez um miserável entre os anjos do céu! No mar
as lágrimas dos dias santos na terra, a euforia,
e nas tempestades um lírio branco, o vento, o ar!
Talvez um pedinte em dor final, a pedir esperança
no corpo nu que me cobre a alma. Um véu terno,
plumas ao tempo, folhas secas, talvez lembrança
à abrir a contagem da existência entre o céu e o inferno.
Amor sejas tu amor, tão alegre, tão infinito...
Mesmo que te roguem tristeza a viver, mesmo à dor,
mesmo à saudade, que seja em plenitude o teu grito,
que sejas em ti à cobiça, o meu mesmo amor.

(Poeta- Dolandmay)

terça-feira, 9 de março de 2010


Sentimento de Poeta

Por que dizes em ti, Poeta,
ser triste o coração,
se no que escreve a tua meta
é o Amor e a Paixão?!

Todos em mim dizem
que o Poeta só é feliz se sofrer,
mas nada em mim condizem
que o vão maior é viver!...

Sabes Amigo, no escrito;
seja ele como for
sempre tem o Ser Bendito
que nos levam até o Amor!

Descarrega a tua alma
quando quer viver ou morrer,
levas em ti, a ter à calma,
quando o silêncio é escrever...

E se tudo fosse vão,
assim, ouviriam tão pouco,
o sentir desde então;
que por Amor tu és um louco!

(Poeta- Dolandmay)

Vestígio Incerto

Sou a alma que o tempo não levou
petrificando-me ao teu desalento,
nas devassas noites sem luar e sem cor.

Vagando no ócio da minha solidão
não mais consigo ter calma...
Minha essência perece nas trevas
sem o langor de uma paixão.

Na busca extrema por uma idolatria
minha vida se finda no nada...
Apenas encontro indícios, apagados
Estrelas sem luz, lua sem brilho
que não reluz o meu Amor.

(Poeta- Dolandmay)

A Poesia

A tua graça estranha rege o meu destino...
Com peito de ouro e rubro me fizeste em paixão.
Em meus desejos fizeste morada, e a desatino,
por teu amor eloquente me prendeu o coração.

As entranhas pertencentes, e ambiciosas do medo,
que são no teu corpo de uma fragrância desejosa
designaram em mim tentações, e em segredo
eu as tenho nas mãos, sem que imperes, formosa.

Como és de mim a vida, o som, o ar...
Mais do que pude ergui-me, aos devaneios loucos.
E como pusestes aos céus as minhas noites de luar,
condenado em ti, vejo-me findar, aos poucos.

Tu és a tormentas que me constrói à eternidade...
O fastigioso mal que me impera, para o amor nobre;
é quem me falta à vida, nos dias de saudade...
Mas é a que me ama! que me intui, e que me cobre!

(Poeta- Dolandmay)

TRANSCENDENTE

Por que pensastes na morte, um dia,
Se longe vão os caminhos tortuosos?!...
Breve, estão às estradas da alegria,
E o intento dos teus dias desgostosos!...

Teus olhos refletem mágoas, euforia!
São cais distraídos, anciões tediosos.
São docas cristalinas, fontes de magia,
Que negastes aos tempos pavorosos!...

Tuas noites podem ser tristes ao vento,
Podes nelas ouvir as vozes do lamento,
Mas não os cicios dos céus em segredo!...

Por que entrastes nas sombras, sozinho,
Se há quem te rege a luz do caminho
Para que afronte na alma o teu medo?!...

(Poeta Dolandmay)

Metafísico

Amor da vida minha,
Luz santa das minhas noites
Rasga-me o peito
Além do imprescindível do amor...

Leva-me à distância deste mundo
Das impetuosas formas de mim,
Dos sentimentos miseráveis e profundos
Que me corta a alma – trevas em dor.

Faz-me conhecer o mistério
No infinito do teu cerne perfeito,
Das minhas crenças
Onde em ti, tudo me põe a viver...

Amor da vida minha,
Que poucos à de conhecer
Eleva-me o coração
Para que todo o teu amor conheça.

Leva-me às transcendentes formas de ti,
Do sangue quente das tuas veias
Onde em espírito derramas em mim,
Onde em sonhos, torna-me verdadeiro.

(Poeta- Dolandmay)
O Alvo

Estranho ser, que ignora e vive,
Nada têm de alma, nem coração.
Quem é que te deste o tudo que tive?
Os céus! Tudo a fronte de mim,
A vida, tudo a intento de mim...

Lua clara, duma outrora existência,
Sol que queima sem sofrer,
Mar imenso, o espelho, a aparência.
Vai zeloso, vai viver...

Quando tu vês o infinito azul sem fim,
As flores brancas dum jardim,
Ou talvez o sangue da esperança nua,
Vai, quem sabe encontrarás a tua...

Tão nua, a rogar, por contentamento
Aos olhos de quem te tens perfeito,
E dizer sob as cálidas fendas das mãos
Que adventício tu és de esquecimento.

(Poeta- Dolandmay)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Murmúrio

Ao fim da minha vida... Quem sabe
Quando frio estiver, e profundo...
Sob a terra bendita deste mundo
Todo o calor do meu corpo acabe!...

Vivem a vaguear as almas, em segredo
Sussurram-me as frases belas e frias
No ar gélido das tuas vozes, nos dias
Em que o meu sentimento é o medo!

Vagando ao igual penar nas tuas eras
Sinto-me um ser dormente as esperas
Das noites santificadas em um além...

Quem sabe quando chegar o meu fim...
Quando as rosas caírem sobre mim,
Aos ouvidos eu possa esquentar alguém!

(Poeta- Dolandmay)